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Capitão e Guedes têm prestígio de sub-Damares

Josias de Souza

10/12/2019 00h02

A pesquisa Datafolha expõe alguns paradoxos. Na percepção dos brasileiros, o governo de Jair Bolsonaro piorou no quesito combate à corrupção. Mas Sergio Moro continua sendo o ministro mais bem avaliado do governo. O brasileiro enxerga avanços na gestão da ecomomia. Mas Paulo Guedes ocupa apenas a terceira colocação no ranking de avaliação dos ministros. É superado por Damares Alves, a segunda colocada.

Na comparação com pesquisa realizada em agosto, caiu cinco pontos —de 34% para 29%— o índice de aprovação da forma como o governo lida com a corrupção. Mas a gestão de Sergio Moro é aprovada por 53% dos brasileiros. Isso ocorre porque a sujeira ao redor —do rolo do primogênito Flávio Bolsonaro ao laranjal do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio— essa sujeira não grudou na imagem que Moro construiu como juiz da Lava Jato.

Em movimento inverso, subiu cinco pontos —de 20% para 25%— a taxa de aprovação do modo como o governo gerencia a economia. A despeito disso, a aprovação de Paulo Guedes, de 39%, é inferior à de Damares Alves, aprovada por 43% dos brasileiros. É preciso levar em conta, porém, que o índice de Damares é anabolizado pela religião, pois a pesquisa revela que o grosso de sua popularidade vem dos evangélicos pentecostais.

De resto, 39% de aprovação para um ministro da Economia, associado a cortes e arrochos, não chega a ser uma má avaliação. Atribui-se ao aroma de crescimento que começou a exalar do PIB o estancamento da sangria na aprovação de Bolsonaro. Parou de cair. E ainda subiu um ponto percentual: de 29% para 30%.

Se a pesquisa serve para alguma coisa é para mostrar a Bolsonaro que ele deveria administrar melhor a língua, colocar as encrencas em pratos limpos e se concentrar na economia. A prosperidade do país depende da economia. A popularidade do presidente também. Não fica bem a um candidato à releição ostentar uma aprovação de sub-Damares.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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