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Ficha de Bolsonaro ainda não caiu na Educação

Josias de Souza

13/12/2019 04h59

Formou-se no interior do governo uma torcida pela demissão do ministro Abraham Weintraub, da Educação. Mas a ficha de Jair Bolsonaro ainda não caiu. De acordo com um auxiliar do presidente, três coisas seguram Weintraub no cargo: 1) A hesitação de Bolsonaro; 2) A ausência de um substituto; e 3) A resistência do presidente de tomar decisões sob pressão do noticiário.

Bolsonaro elegeu-se presidente da República com um discurso conservador. Sabia-se que nomearia uma equipe conservadora. Mas o capitão entregou pedaços do seu governo ao atraso. A opção preferencial pelo arcaísmo é ainda mais nítida nas áreas da cultura e da educação, dominados por apadrinhados do polemista Olavo de Carvalho.

No Ministério da Educação, o olavista Weintraub apaixonou-se pelo caos. E vem sendo totalmente correspondido. É crescente o desconforto dentro do governo com o estilo do personagem, que oscila entre o folclórico-cômico e o ideológico-raivoso.

Os parafusos da cadeira de Weintraub estão frouxos. Mas o ministro comporta-se como se dispusesse de estabilidade no emprego. Reagiu ao noticiário sobre sua fragilidade com soberba e ira.

O ministro anotou no Twitter: "Diante dos resultados positivos que começam a aparecer e de minha total intransigência com o errado e o malfeito, esquerda e monopolistas entram em desespero. A mídia podre defende tais interesses e espalha mentiras. O ladrar desses cães é prova que estou no caminho certo."

Os antecedentes do governo na área educacional recomendam cautela. Antes de Weintraub, passou pela pasta uma piada colombiana: Ricardo Velez Rodrígues, outro súdito de Olavo de Carvalho.

Assim, antes de soltar fogos, seria necessário conhecer o nome do próximo olavista a ser nomeado para o ministério. A insistência de Bolsonaro em manter uma parte do governo acorrentada ao arcaísmo estimula a suspeita de que a própria Presidência da República pertença à cota olavista.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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