Blog do Josias de Souza

Categoria : Vídeos

Mesmo sem TSE, pesadelo de Temer continua
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Josias de Souza

Michel Temer transformou sua Presidência numa corrida de obstáculos. Está prestes a ultrapassar a barreira do TSE. O julgamento sobre a chapa Dilma-Temer ainda não terminou. Mas já está claro que o conchavo prevalecerá. Para salvar Temer, o TSE inaugura uma fase nova no Brasil. Os políticos transgressores haviam consagrado o bordão “eu não sabia”. Era a etapa do cinismo. O TSE ficou sabendo. Mas decidiu fechar os olhos para as provas. É a fase do pós-cinismo.

Há 20 dias, o veredicto do TSE era visto como o grande empecilho a ser superado pelo governo Temer. Vencendo esse desafio, o presidente teria mais tranquilidade para se dedicar à aprovação das reformas econômicas no Congresso. Hoje, as encrencas que assediam Temer transformaram os pesadelos do presidente em algo mais agradável do que o despertar.

Vencido o obstáculo do TSE, Temer terá pela frente uma série de crises para administrar, uma se sobrepondo à outra. O interrogatório da Polícia Federal, a ameaça de revoada dos tucanos, o risco de delação do ex-assessor da mala de propina, a denúncia criminal que a Procuradoria está prestes a protocolar no STF. Como se tudo isso fosse pouco, descobre-se que Temer voou com sua família, em 2011, num jatinho de Joesley Batista. Viagem recreativa. O presidente não sabia de quem era o jato. Não pagou pelo transporte. De repente, o país ficou sabendo que é presidido não pela suspeição, mas por uma caricatura.


Temer desencana do TSE e já cuida do day after
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Josias de Souza


O julgamento das ilegalidades atribuídas à campanha presidencial da chapa Dilma-Temer prossegue. Mas já não preocupa Michel Temer. O presidente terá uma surpresa extraordinária se obtiver do plenário do Tribunal Superior Eleitoral algo diferente de uma pizza.

Julgando-se absolvido por antecipação, Temer já se ocupa do planejamento do day after. Cuida dos minutos, porque suas horas passam. Espera para a semana que vem uma denúncia formal do procurador-geral da República Rodrigo Janot no caso JBS. Esforça-se para não fornecer matéria-prima nova ao responder por escrito ao interrogatório da PF. E simula otimismo enquanto tenta evitar a revoada dos tucanos.


Embate entre ministros vitimou a lógica no TSE
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Josias de Souza

As primeiras sessões do julgamento sobre a chapa Dilma-Temer, no plenário do Tribunal Superior Eleitoral, foram marcadas por um duelo entre o relator do processo, ministro Herman Benjamin, e o presidente do tribunal, Gilmar Mendes. O pano de fundo do embate é a Odebrecht. Benjamin tenta impedir que sejam excluídas do seu relatório as provas obtidas a partir da colaboração judicial dos delatores da construtora. E utiliza como suporte um voto preferido por Gilmar em 2015, que levou o TSE a aprovar, por 5 votos a 2, o aprofundamento das investigações.

Chegamos ao seguinte ponto: pela primeira vez em sua história, o TSE apura irregularidades numa campanha presidencial. Num esforço notável, o tribunal passou mais de dois anos investigando. Colecionaram-se evidências estarrecedoras do uso de dinheiro sujo na eleição. E o TSE, em vez de produzir uma sentença compatível com a gravidade do delito, desperdiça a paciência da plateia num debate que pode mandar para a lata do lixo as principais provas.

Em reação à estratégia do relator, Gilmar Mendes diz ter orgulho do voto que manteve a investigação em pé há dois anos. E tem bons motivos para isso. Arquivar o caso teria sido um escândalo. O problema é que o presidente do TSE declara que não queria necessariamente cassar mandatos, mas apenas expor os abusos cometidos na campanha. A plateia se pergunta: ora, de que serve uma investigação se os delitos apurados não resultarem em punição? No duelo entre os magistrados, a primeira vítima é a lógica.


TSE não pode ignorar a fome de limpeza no ar
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Josias de Souza

Quem quiser alcançar a dimensão do que está acontecendo no TSE precisa levar em conta o seguinte: o julgamento da chapa Dilma-Temer interessa muito mais ao país do que aos envolvidos. Para o Brasil, diante das provas reunidas em dois anos de investigação, uma absolvição da chapa pareceria um absurdo incompatível com a fome de limpeza que está no ar. Para Dilma e Temer, a condenação seria apenas mais uma escala rumo ao fundo do poço.

Transformada em lavanderia de verbas sujas pelos partidos que roubaram dinheiro da Petrobras e de outros cofres, a Justiça Eleitoral revelou-se incompetente para fiscalizar. Socorrido pela Lava Jato, o TSE tem a oportunidade de se redimir. Valente na hora de cassar prefeitos dos fundões do Brasil e governadores do Norte e do Nordeste, o tribunal julga pela primeira vez uma chapa presidencial. Pode construir uma pirâmide ou assar pizzas.

Dilma está sujeita a perder os direitos políticos. Ficaria proibida de pedir votos por oito anos. Como suas chances eleitorais são mínimas, o prejuízo é próximo de zero. Temer pode perder o mandato. Nessa hipótese, vai recorrer ao próprio TSE e ao STF. São tantas as encrencas em que se meteu que ninguém sabe se ainda será presidente quando os recursos forem julgados. A conjuntura pessoal de políticos que não se deram ao respeito é volátil. A história de um país merece mais consideração. Um tribunal não têm o direito de negar no presente provas tão evidentes sobre a eleição passada. Sob pena de esculhambar o futuro.


Temer tornou-se um problema de longa duração
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Josias de Souza

Na semana da retomada do julgamento sobre as irregularidades na campanha presidencial de Dilma e Temer, Brasília respira uma atmosfera belicosa. O Palácio do Planalto transformou-se num bunker. E Temer se arma para resistir no cargo.

O presidente avalia que não será cassado pelo TSE. Mas já avisa que recorrerá se o veredicto for adverso. No mais, Temer se prepara para a próxima batalha: a denúncia que a Procuradoria-Geral da República fará contra ele no STF, acusando-o da prática de crimes como corrupção, obstrução de Justiça e formação de organização criminosa.

Quando assumiu a cadeira de Dilma, Temer dizia que uma de suas metas era pacificar o país. Hoje, o presidente se vê no centro do que chamou de “conflito institucional”. Há 20 dias, a prioridade de Temer era salvar as reformas econômicas no Congresso. Hoje, ele luta para salvar o próprio pescoço. Sabe que, se cair, viverá um drama parecido com o de Lula, cada vez mais próximo das grades.

Temer está pintado para a guerra. Ele enxerga inimigos em toda parte. No TSE, o relator do pedido de cassação, Herman Benjamin. No STF, o relator da Lava Jato, Edson Fachin. Na Procuradoriada, Rodrigo Janot. No Congresso, o pedaço do PSDB que prega o rompimento.

Numa crise como essa, ou o sujeito é parte da solução ou é parte do problema. E Temer já não se parece com solução. Sua disposição para a resistência transformou Michel Temer num problema de longa duração.


TSE decide nesta semana que tribunal quer ser
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Josias de Souza


O Tribunal Superior Eleitoral retomará nesta terça-feira (6) o julgamento sobre as irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer.

Há no processo uma montanha de evidências de que o comitê vitorioso na disputa presidencial de 2014 utilizou verba roubada da Petrobras para se financiar.

A despeito disso, o TSE flerta com a possibilidade de instalar no seu plenário um forno de assar pizzas.

Neste julgamento, o TSE não decidirá apenas contra ou a favor de Temer e Dilma. Decidirá que tribunal deseja ser perante a história.


Corrosão do PSDB virou fenômeno irreversível
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Josias de Souza

O PSDB escreve um melancólico capítulo de sua história. O partido saiu da eleição presidencial de 2014 como maior força política da oposição. Aécio Neves parecia fadado a virar presidente na sucessão seguinte, em 2018. Hoje, o PSDB é coadjuvante do PMDB num governo apodrecido, chefiado por um presidente cujo futuro está condicionado, entre outros fatores, à delação de um ex-assessor filmado recebendo uma mala com propina de R$ 500 mil reais da JBS.

A política brasileira atingiu um estágio em que todo processo de alicança é um ritual de emporcalhamento. No Brasil, uma coalizão governamental serve basicamente para assegurar a fidelidade dos participantes ao grupo pela cumplicidade. A plateia já não consegue distinguir PT, PSDB, PMDB e todo o resto.

Desde que explodiu a delação da JBS, do empresário Joesley Batista, o PSDB ensaia um rompimento com o governo. Agora, os deputados tucanos cobram um desenlace. Mas a decisão do PSDB, seja qual for, não conseguirá deter o desgaste do partido.

Os nomes dos presidenciáveis da legenda —Alckmin, Aécio e Serra— já haviam saltado dos lábios dos delatores da Odebrecht como pulgas no dorso de vira-latas. Agora, a presença de Aécio no epicentro do novo escândalo eliminou até a presunção de superioridade moral que o PSDB imaginava ter.


PT age como bêbado sem rumo em noite escura
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Josias de Souza

O 6º Congresso Nacional do PT, que começou nesta quinta-feira e vai até sábado, tem como principal objetivo renovar o partido, a fim de prepará-lo para os futuros embates. Na renovação do PT, o novo tem uma cara meio antiga. O partido elegerá como sua presidente uma senadora investigada no Supremo Tribunal Federal: Gleisi Hoffmann, ex-ministra de Dilma Rousseff. De resto, o PT venderá a ideia de que a felicidade do Brasil depende da volta de Lula ao poder. O partido defenderá Lula atacando a Lava Jato.

Num instante em que os petistas clamam por diretas já, o Congresso Nacional do PT alçará Gleisi Hoffmann ao comando da legenda em eleições indiretas. O PT desistiu de realizar o seu PED, Processo de Eleição Direta. Além de perder a coerência, os petistas perderam o nexo.

Em entrevista ao repórter Leandro Prazeres, Rui Falcão, que se despede do comando do PT, disse que a legenda lutará para impedir que Lula seja “interditado”. Afirmou: seria “antidemocrático proibir, por meio de uma condenação, que Lula seja candidato” à Presidência.

Réu em cinco ações penais, Lula está sendo julgado. É bastante provável que enfrente sua primeira condenação nas próximas semanas. Não são negligenciáveis as chances de que Lula se torne um ficha-suja. No discurso renovado do PT, cumprir a lei virou algo “antidemocrático.” O partido deve sair do seu Congresso com a aparência de um bêbado sem rumo numa noite escura.


Temer é prova de que ‘projeto torniquete’ falhou
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Josias de Souza

Na sua primeira entrevista como ministro da Justiça, Torquato Jardim fez comentários bem comportados sobre a Lava Jato. Disse que a operação é um marco civilizatório. É um programa de Estado, não de governo. É coisa da sociedade brasileira. O novo ministro deixou em aberto, porém, a possibilidade de trocar o comando da Polícia Federal. Disse que estudará o tema com serenidade.

Horas antes da posse de Torquato Jardim, seu antecessor, o deputado Osmar Serraglio, anotou numa carta de despedida que foi retirado da poltrona de ministro da Justiça porque Michel Temer “sofreu pressões de trôpegos estrategistas.” Com essas palavras, insinuou que caiu porque os estrategistas do presidente achavam que ele não controlava adequadamente a Polícia Federal.

As primeiras declarações de Torquato Jardim soaram adequadas. Mas é impossível deixar de notar que ele é ministro de um presidente sob investigação, apoiado por políticos que foram grampeados defendendo a sabotagem das investigações. A boa notícia é que, até o momento, todos os que agiram para estancar a sangria da Lava jato se deram mal.

A própria presença de Michel Temer como protaginista de um processo criminal no Supermo Tribunal Federal é uma evidência de que a Lava Jato e outras operações fugiram ao controle dos investigados. O ‘projeto torniquete’ não prosperou. Pessoas poderosas tornaram-se impotentes.


Michel Temer tornou-se um Cunha hipertrofiado
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Josias de Souza

A poucos dias do início do julgamento que pode resultar na cassação de Michel Temer, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral informa que “o julgamento será jurídico”. Gilmar Mendes acrescenta que “não cabe ao TSE resolver crise política. Resolvam suas crises”, disse ele. De um tribunal não se espera outra coisa senão julgamentos jurídicos. Quando o presidente da Corte Eleitoral precisa proclamar o óbvio é porque alguma coisa saiu do lugar.

Enquanto Temer fazia pose de presidente das reformas, dizia-se que o TSE deveria salvá-lo para não prejudicar a economia. E muitos achavam normal. De repente, o reformador virou investigado. Passou a operar pelo adiamento do veredicto. E o TSE ganhou a aparência de uma peteca, que o Planalto joga para o lado que lhe convém.

Incomodado com a naturalidade com que auxliares de Temer antecipam os movimentos do TSE, Gilmar Mendes ergueu a voz: “O TSE não é um joguete nas mãos do governo.” Por trás da proclamação do óbvio se esconde uma tragédia: Temer virou uma espécie de Eduardo Cunha hipertrofiado. A Câmara demorou nove meses para se livrar de Cunha. Temer acaba de acomodar no Ministério da Justiça Torquato Jardim, um PhD em TSE e STF. O investigado olha para Cunha, preso em Curitiba, e se equipa para resistir. A questão é: até quando o Brasil resistirá?