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Dono da Delta: ‘Se botar 30 milhões na mão de políticos, sou convidado pra coisa pra caralho!’

Josias de Souza

17/04/2012 05h22

Sob investigação da Polícia Federal por seu envolvimento com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a empresa Delta Construções encontra-se pendurada nas manchetes de ponta-cabeça há semanas. As suspeitas que recaem sobre a empresa ganharam o adorno de uma voz.

Sem que soubesse, o presidente da Delta, Fernando Cavendish, foi gravado por ex-sócios numa reunião ocorrida em dezembro de 2009. Na fita, o empresário declara que, pagando propina a políticos, é possível obter contratos com o governo.

O áudio veio à luz no blog QuidNovi, do jornalista Mino Pedrosa. Ele já trabalhou para Cachoeira. Hoje, é visto como uma espécie de porta-voz oficioso do contraventor. Por mal dos pecados, a Delta reconheceu, em nota, que a voz que soa na fita é mesmo de Cavendish.

Num trecho, o mandachuva da Delta soa assim: "Se eu botar R$ 30 milhões na mão de políticos, eu sou convidado pra coisa pra caralho! Pode ter certeza disso, te garanto. Se eu botasse dez pau que seja na mão de nêgo… Dez pau! Ah… Nem precisava de muito dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ôooo…"

Noutro trecho, Cavendish declara: "Estou sendo muito sincero com vocês: R$ 6 milhões aqui, eu ia ser convidado. Ô, senador fulano de tal, eu tenho cinco convites aqui. Toma, tá aqui ó. Pá! Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão."

O dono da Delta conversava com dois empresários da Sygma, uma empresa com a qual mantinha sociedade na época. Na nota que divulgou nesta segunda (17), a Delta não nega o teor das declarações do seu presidente. Informa apenas que o áudio foi "produzido clandestinamente, montado e editado".

O texto acrescenta que "os ex-sócios dessa empresa perderam um processo de arbitragem e hoje estão sendo acionados pela Delta por calúnia e difamação." Alega que as frases de Cavendish "foram pronunciadas em tom de bravata, em meio a uma discussão entre ex-sócios que, desde então, se enfrentam na Justiça."

Alega-se, de resto, que "o áudio não representa o que a Delta e seus controladores pensam." Curioso, muito curioso, curiossíssimo. Quer dizer que, em reunião fechada, longe dos refletores, o presidente da campeã de faturamento nas orbras do PAC se expressa assim, por meio de bravatas vadias? Então, tá.

Afora as complicacões que já enfrenta junto à Polícia Federal e ao Ministério Público, a Delta tornou-se alvo obrigatório da CPI do Cachoeira. A oposição avisa que Cavendish, cujas bravatas denunciam os métodos, será personagem do primeiro lote de requerimentos de convocação de depoentes.

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Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.


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