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Aécio adia para 2014 programa que seria para já

Josias de Souza

19/05/2013 07h10

 

O vídeo acima é parte de uma entrevista veiculada aqui há três meses, em 22 de fevereiro. Nela, Aécio Neves anunciara que o PSDB apresentaria neste mês de maio "uma proposta alternativa ao que está aí." Mencionara "um conjunto de ideias-força". Neste sábado (18), ao discursar na convenção em que foi alçado ao posto de presidente do partido, Aécio não formalizou nenhuma proposta. Tomado pelas palavras, já não cogita fazê-lo tão cedo.

"O PSDB se apresentará no momento certo, e ainda não é hora de tratarmos disso, porque isso deve acontecer em 2014, com um projeto alternativo a esse que está aí", discursou Aécio. Sem as "ideias-força" de que falava em fevereiro, o pronunciamento do presidenciável tucano teve mais retrovisor do que parabrisa. Disso resultou um paradoxo: Aécio vende o futuro olhando para trás.

Falou do Bolsa Família como "um projeto incorporado, enraizado na paisagem econômica e social." Deve ser "mantido", disse. Mas já não dá para se contentar apenas com "a administração diária da pobreza". No mesmo discurso, jactou-se de realizações tucanas tão incorporadas à paisagem quanto o Pão de Açúcar: a estabilidade do Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo.

Evocando Arthur Virgílio e FHC, que foram ao microfone antes dele, Aécio deu-lhes razão: "É preciso, sim, ter utopia. E nós temos." Qual? "Queremos tirar o país das garras de um partido político que se esqueceu de suas origens e da sua história." Para quem já teve o Real, parece pouco.

Aécio discorreu sobre educação, saúde e segurança com a ligeireza de quem corre sobre brasas. Olhos grudados no retrovisor na maior parte do tempo, citou experiências do governo FHC, da sua administração em Minas e do governo paulista de Geraldo Alckmin.

Acha que, hoje, o papel do PSDB é o de "devolver ao país um governo que pense nas futuras gerações, que tenha coragem para fazer as reformas que este governo não fez até aqui." Que reformas? Bem, "o PSDB apresentará ao país, dentro de pouco tempo, área por área, seu plano, suas propostas."

Na sucessão de 2002, quando José Serra perdeu a disputa presidencial para Lula, os tucanos começaram a falar em atualização do ideário do PSDB. Em 2006, quando Geraldo Alckmin perdeu para o mesmo Lula, falava-se até em "refundar" a legenda. Em 2010, quando Serra foi batido pela então 'poste' Dilma Rousseff, informou-se que o partido encontraria seu rumo num ciclo de seminários. Por ora…

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Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.


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