Topo

Com polícia na porta, Cunha ainda teve 9 votos

Josias de Souza

15/12/2015 13h39

O Conselho de Ética da Câmara havia tentado abrir o processo que pode levar à cassação do mandato de Eduardo Cunha uma, duas, três, quatro, cinco, seis vezes. Decorridos quase dois meses, os membros do colegiado aprovaram, finalmente, a "admissibilidade" do processo. Deu-se na sétima tentativa.

Enquanto os deputados deliberavam, a Polícia Federal executava 53 mandados de busca e apreensão. Entre os endereços varejados, estavam dependências da própria Câmara e as casas de Cunha, incluindo a residência oficial da instituição que o investigado faz o favor ao país de presidir.

A inflamação dos milicianos de Cunha no Conselho de Ética foi diminuindo à medida que o noticiário policial evoluía na internet. A despeito disso, houve novo pedido de vista. Não colou. Submetido a voto, foi rejeitado por 11 a 9. Protocolaram-se três pedidos de adiamento da votação.

Súbito, uma ordem emanada de Cunha levou a milícia parlamentar a retirar os requerimentos protelatórios. Estava entendido que o acusado tornara-se minoritário no Conselho de Ética. Votou-se, então, o parecer que recomendou a continuidade do processo de cassação. Apurados os votos, deu, de novo, 11 a 9.

Com tudo o que já está na cara, com a Polícia Federal nas dependências da Câmara, com agentes varejando a intimidade da terceira autoridade na linha da sucessão da República, com tudo isso Cunha ainda teve um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove votos (veja a lista aqui). Quem estava atrás de um fato que resumisse a ópera, já pode exclamar: "Não é possível!"

Comunicar erro

Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Com polícia na porta, Cunha ainda teve 9 votos - UOL

Obs: Link e título da página são enviados automaticamente ao UOL

Ao prosseguir você concorda com nossa Política de Privacidade

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.


Josias de Souza