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Jefferson disputará vaga de deputado por SP

Josias de Souza

02/11/2016 03h22

Algoz do Partido dos Trabalhadores no escândalo do mensalão, o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) revela-se um adversário caprichoso. Há tempos acalenta o desejo de retornar à Câmara carregado pelos votos do eleitorado paulista. Informou a familiares e correligionários que o anseio se converteu em decisão. Mudará oportunamente seu domicílio eleitoral do Rio para São Paulo, berço político do petismo. E tentará a sorte nas urnas de 2018.

Jefferson comporta-se como um inimigo fiel. Não trai as expectativas do PT nunca. É como se aproveitasse a fase de definhamento da legenda de Lula para cuspir sobre a lápide. Suprema ironia: o PTB elegeu na disputa municipal encerrada no último domingo mais prefeitos (262) do que o PT (256). Na interpretação de Jefferson, o petismo paga agora, com correção, a fatura contratada em 2005, ano em que ele concedeu à repórter Renata Lo Prete a entrevista que pendurou o mensalão na manchete da Folha.

Além de ter o mandato de deputado passado na lâmina, Jefferson foi condenado no célebre julgamento do Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 14 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficou inabilitado para disputar eleições até 2022. Entretando, o ministro Luís Roberto Barroso, da Suprema Corte, concedeu a Jefferson e a outros condenados do mensalão o perdão do que ainda lhes restava de pena.

Os advogados de Jefferson sustentam que o indulto anulou também a pena acessória de suspensão de direitos políticos por oito noas. A prevalecer esse entendimento, o mandarim do PTB estaria apto a levar adiante a decisão de se mudar para São Paulo. Como subproduto da mudança, Jefferson evitaria subtrair votos de sua filha, Cristiane Brasil, que exerce seu primeiro mandato de deputada federal e tentará se reeleger em 2018.

Informados sobre a decisão de Jefferson, aliados do governador tucano de São Paulo planejam atrair o PTB para o projeto presidencial de Geraldo Alckmin. Hoje, além do PSDB, gravitam em torno de Alckmin no Estado: PSB, DEM, PPS e PV. Em 2014, Jefferson acomodou o seu PTB no colo de Aécio Neves. Hoje, a legenda inclui Alckmin nas suas cogitações. No rol de presidenciáveis tucanos, o detonador do mensalão só não admite entregar o tempo de televisão de sua legenda para uma eventual candidatura de José Serra.

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Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.


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