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Malhação preocupa mais Bretas que caso Temer

Josias de Souza

26/03/2019 15h04

Um dia após a libertação de Michel Temer, o juiz Marcelo Bretas, que mandara prendê-lo, foi às redes sociais para manifestar sua contrariedade com as críticas: "O silêncio é a única resposta que devemos dar aos tolos, porque onde a ignorância fala, a inteligência não dá palpites". Desejou "um bom dia aos brasileiros de bem."

Imaginou-se que Bretas estivesse abespinhado com o desembargador Ivan Athié, do TRF-2, autor da ordem de soltura de Temer. Choveram mensagens de solidariedade ao juiz no perfil mantido por ele no Twitter.

"Que o senhor não desista e persevere, Deus está no comando", anotou uma seguidora de Bretas. "Lutar contra uma organização criminosa já enraizada levará tempo, paciência e sabedoria. Mas o povo está de olho e junto com você", ecoou outra. Uma terceira pediu: "Firme nos propósitos e forte na fé."

Quatro horas depois da primeira postagem, Bretas levou ao ar um link que conduz a uma notícia veiculada em site mantido por apoiadores da Lava Jato. Lendo-se o texto, descobre-se que o "silêncio" do juiz não era dedicado ao desembargador que soltou Temer, mas aos "tolos" que o criticaram na imprensa por cultuar o corpo em sessões diárias de malhação.

No despacho que determinou a libertação de Temer, Ivan Athié chamou Bretas de notável juiz, seguro, competente e corretíssimo. Na sequência, anotou que ele mandara prender o ex-presidente da República porque fez uma "caolha interpretação" dos dados disponíveis nos autos.

O estrabismo mental apontado pelo desembargador não faz justiça ao desenvolvimento intelectual que o juiz da Lava Jato julga ter atingido. Entretanto, o que parece tirar Bretas do sério são os reparos ao seu desenvolvimento muscular. A foto exposta lá no alto foi retirada pelo juiz de sua conta no Instagram. Outras foram mantidas, como esta que vai abaixo.

Como se vê, o universo tem mistérios que as pessoas jamais entenderão. Um deles é essa mania da imprensa de querer entender os mistérios do universo. Melhor fazer silêncio do que passar por tolo.

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Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.


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