Blog do Josias de Souza

Categoria : Secos & Molhados

Saída para crise é Gleisi Hoffmann na Fazenda
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Josias de Souza

A senadora Gleisi Hoffmann, líder do PT, escalou a tribuna para avisar que apenas o Carnaval separa o Brasil do seu reencontro com o caminho da prosperidade. Passados os festejos de momo, disse ela, o petismo lançará um conjunto de propostas para tirar o país do abismo econômico em que Dilma Rousseff o meteu.

Quando chefiava a Casa Civil da Presidência, sob Dilma, Gleisi não conseguiu evitar a ruína produzida pela companheira presidenta. Hoje, afastada do governo, a senadora passou a discursar sobre economia no Senado. E como qualquer outro político, quando não está no governo e sim discursando no Congresso, Gleisi passou a farejar respostas e soluções para todos os problemas.

Temer talvez devesse considerar a hipótese de convidar Gleisi para a pasta da Fazenda. Demitido, Henrique Meirelles passaria a escrever artigos para jornais. E logo farejaria uma forma de apressar a superação da crise. E bastaria a Temer fazer tudo o que o ex-ministro Meirelles escrevesse, em vez de seguir o receituário petista de Gleisi, que estaria de volta ao governo e, portanto, sem saber o que fazer.


Grupo da PF arma reação à escolha de ministro
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Josias de Souza

Michel Temer gosta de presidir perigosamente. Ao acomodar o Ministério da Justiça no balcão, o presidente acendeu um pavio no Departamento de Polícia Federal, subordinado à pasta. Arma-se no órgão algo muito parecido com uma revolta. Um grupo de delegados discute a hipótese levar os lábios ao trombone se o escolhido for um nome, digamos, tóxico.

Os descontentes espantaram-se com o retorno do criminalista Antonio Mariz à bolsa de apostas. Crítico da Lava Jato, o doutor foi excluído por Temer de sua primeira fornada de ministros. E os delegados se perguntam: o que mudou?

Os federais arrepiam-se também com a cogitação de Temer de entregar a poltrona da Justiça a um deputado do PMDB, partido cuja prioridade é “estancar a sangria” da Lava Jato. Avalia-se que um ministro com essa logomarca na testa é natimorto. Organiza-se um minuto de barulho.


Doria apaga elogios que fez a Eike na internet
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Josias de Souza

Preso em Bangu 9, Eike Batista, um dos brasileiros mais paparicados na época em que era bilionário, começa a se dar conta de que a perfeita solidão é a presença numerosa de um amigo real. Nesta quarta, um dia depois do encarceramento de Eike, o prefeito paulistano João Doria mandou apagar referências elogiosas que fizera no Twitter ao ex-amigo.

Sumiram várias notas veiculadas entre 2011 e 2012. Nessa época, Dória comandava sua empresa, a Lide. Numa das notas, o agora prefeito celebrava a concessão do título de “empreendedor do ano” a Eike. Noutra, propagandeia “lição de eficiência e otimismo” que acabara de receber de Eike num almoço-debate. Numa terceira, responde a um internauta: “Se privatizar e Eike administrar, vai melhorar.”

Instado a comentar a retirada das notas do ar, Dória declarou: “Eu não apaguei nada. Nem pus, nem apaguei, nem nada. Eu não tomei nenhuma iniciativa desse tipo. Não me lembro disso. Mas olha, passado é passado.” O prefeito logo perceberá quer certos passados não passam (veja abaixo as notas que sumiram da conta de Dória não Twitter).

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No Paraná, 5 vereadores presos tomam posse
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Josias de Souza

 

Aos pouquinhos, o Brasil idealizado por todos vai se tornando um país muito distante, uma democracia lá longe. Nesta quarta-feira, aconteceu no Paraná, berço da Lava Jato, um episódio que diz muito sobre essa nação longínqua. Cinco vereadores eleitos em outubro do ano passado e presos desde dezembro tomaram posse na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, cidade que faz fronteira com o Paraguai.

A sessão foi tumultuada. Os protagonistas chegaram escoltados pela polícia. Prestaram juramento sob vaias, pedidos de renúncia e gritos de “vergonha”. Consumada a posse, retornaram à cadeia. Chamam-se Anice Gazzaoui (PTN), Darci Siqueira (PTN), Rudinei de Moura (PEN), Edilio Dall’Agnol (PSC) e Luiz Queiroga (DEM). Assumiram escorados numa ordem expedida pela juíza Juliana Arantes, da Vara de Corregedoria dos Presídios de Foz do Iguaçu.

Os vereadores-presidiários foram fisgados numa operação da Polícia Federal batizada de Pecúlio. Deflagrada em abril do ano passado, apura um esquema de fraudes em licitações no setor de saúde, na gestão do ex-prefeito Reni Pereira (PSB). Os empossados desta quarta-feira são acusados de receber propinas para aprovar projetos de interesse da prefeitura.

Nesse Brasil marcado pela corrupção desvairada, em que não se salvam nem as verbas da saúde, a honestidade vai se tornando uma grande solidão. Os recém-nascidos já não encontram nenhum pecado original.


Divisões ameaçam democracia, discursa Obama
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Josias de Souza


Aqui e aqui, detalhes sobre o discurso de despedida de Barack Obama, pronunciado na noite passada.

Aqui, notícia sobre os planos de Donald Trump de enterrar a principal conquista social da gestão Obama.

Aqui, o cheiro do que parece ser o primeiro grande escândalo da Era Trump.


Kátia Abreu: só falta Doria se vestir de ‘palhaço’
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Josias de Souza

A senadora e ex-ministra Kátia Abreu (PMDB-TO) ironizou o hábito de João Doria de se travestir de novidade. Ela pendurou duas notas no Twitter.

Numa, anotou que, embora faça pose de não-político, o prefeito paulistano mimetiza estratégias usadas por “velhos políticos populistas.”

Noutra nota, realçou que Doria já vestiu “fantasia de pedreiro, gari e ciclista.” Indagou: “Alguém poderia dar um toque e dizer que é ridículo?” Pessimista, Kátia Abreu arrematou: “Mas ainda falta a [fantasia] de palhaço.”

Reprodução/Twitter


Em férias, blog busca uma saída pós-Odebrecht
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Josias de Souza

Pegou muito mal. Não foi um sujeito qualquer. Foi o nosso presidente, o próprio Emílio Odebrecht, quem disse. Em autodelação à Lava Jato, ele contou que vinha governando o Brasil há décadas. Mantinha todos os pró-homens da República na folha do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht. A revelação expôs a incompetência da imprensa. E o blog, que sempre imaginou que as ordens partissem do Palácio do Planalto, decidiu fazer uma reciclagem.

Em férias a partir desta segunda-feira (26/12), o repórter se dedicará nas próximas duas semanas a sondar o abismo, que é o outro nome do Brasil pós-Odebrecht. Para evitar novos erros, convém responder rapidamente a grande indagação: o que será do país sem o Departamento de Propinas da Odebrecht? Em meio a tanta esculhambação, é preciso reconhecer que a única coisa que funcionava bem no Brasil era o Departamento de Operações Estruturadas. O grande erro foi a tentativa de dissimulação.

Se a Odebrecht tivesse se apropriado abertamente do governo, não estaria agora sendo acusada pela força-tarefa da Lava Jato de comprar o governo dos outros. Um governo escancaradamente da Odebrecht substituiria o regime constitucional brasileiro com muitas vantagens. Os políticos teriam que justificar o dinheiro recebido batendo o ponto. Os congressistas precisariam molhar a camisa de segunda a sábado, em horário comercial. Exatamente como a peãozada nos canteiros de obras, em meio à lama e ao movimento de máquinas pesadas.

As obras seriam todas da Odebrecht. A exclusividade eliminaria o inconveniente da formação de carteis. E haveria um surto de moralidade no país. A democracia estaria preservada. A cada quatro anos uma subsidiária diferente da Odebrecht assumiria o poder. A Construtora Odebrecht seria substituída pela Odebrecht Energia, que seria sucedida pela Brasken, que daria lugar à Odebrecht Óleo e Gás… A auto-alternância no poder causaria inveja no resto do mundo. E a Odebrecht não precisaria mais comprar políticos da oposição, já que se oporia a si mesma.

Durante as férias, o repórter pretende reunir elementos capazes de demonstrar que a alternativa ao abismo talvez seja converter a nação brasileira, oficialmente, numa imensa Odebrecht. Se o Departamento de Operações Estruturadas fez e desfez por tanto tempo, alguma coisa há de ter feito —ou desfeito— de bom para os políticos. E poderia fazer o mesmo pelo povo brasileiro.

Bem verdade que haveria o inconveniente de ter que revogar a República. Mas quem conseguiu implantar uma cleptocracia com tanta facilidade não teria dificuldade para comprar um projeto de lei restaurando a monarquia no Brasil. Marcelo Odebrecht, o príncipe herdeiro, está na cadeia. Entretanto, se o ministro Teori Zavascki homologar o acordo de delação premiada, a cana será revogada no final de 2017. Aguardem. O blog volta em duas semanas com a solução para livrar o Brasil do abismo a partir de 2018.


Sob Temer, mulher pilota o avião presidencial
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Josias de Souza

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Capitã da Força Aérea Brasileira, Carla Borges, 33, tornou-se a primeira mulher a pilotar o avião presidencial. Estreou na nova função na última quinta-feira (22), comandando o voo que levou Michel Temer a São Paulo. Carla concluiu seu treinamento em tempo para transportar Dilma Rousseff. Mas a primeira mulher a pilotar o país caiu sete meses antes.

À frente de um governo que sacoleja em meio a turbulências provocadas pela crise econômica e pela Lava Jato, Temer disse ter prazer em viajar numa aeronave pilotada pela capitã Carla —“com segurança absoluta”, ele acentua.