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Dilma diz acreditar na derrota de Alckmin em SP

Josias de Souza

28/05/2014 06h22

DivulgaçãoMichel Temer reuniu em torno de Dilma Rousseff, na noite desta terça-feira, a nata do PMDB no Congresso, os ministros da legenda, seus governadores e os principais candidatos aos governos estaduais. A presidente comportou-se como uma professora na hora da chamada. Ao discursar, citou nome por nome. Alongou-se nas referências ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo.

"Sem menosprezar ninguém, sem considerar um maior que o outro, quero dizer da importância da candidatura do Skaf. Principalmente porque nós sabemos o que significa, do ponto de vista político, para todos nós, São Paulo. Nós temos duas candidaturas: a do ex-ministro [petista Alexandre] Padilha e a do Skaf. Acredito que é essa a fórmula do segundo turno. Quero enfatizar esse fato. A gente não pode ser ingênuo e não perceber o que significa uma derrota dos tucanos em São Paulo, sendo bem clara." A plateia aplaudiu.

O senador Lindbergh Farias, candidato do PT ao Palácio das Laranjeiras, ficaria de cabelos hirtos se ouvisse a troca de amabilidades entre Dilma e os representantes do PMDB do Rio. O ex-governador Sérgio Cabral e o sucessor Luiz Fernando Pezão, adversário de Lindbergh, mereceram da presidente os mais eloquentes rapapés. E vice-versa.

Num instante em que um pedaço do PMDB fluminense flerta com o presidenciável tucano Aécio Neves, Cabral prometeu entregar a Dilma, na convenção pemedebista, a maioria dos votos dos delegados do Rio. "A senhora pode estar certa de que gratidão não prescreve. Estaremos todos, no dia 10 de junho, junto com a senhora."

Cabral reconheceu: "Temos, sim, diferenças regionais." Mas afirmou que o projeto nacional prevalece sobre as pendências do Estado. "E a senhora, no plano nacional, tem feito um governo excelente para o Brasil, junto com Michel. […] No Rio de Janeiro, não temos do que nos queixar da senhora. Portnato, estaremos aqui, majoritariamente. Não prometo 100% dos votos, mas prometo majoritariamente o reconhecimento à senhora e ao Michel."

E Dilma: "Fui indicada lá no Rio, na Rocinha, como 'mãe do PAC. E o Pezao foi indicado como 'pai do PAC' pelo presidente Lula, em 2008. Mal sabia eu que aquilo era uma indicação para sucedê-lo."

Alheia às críticas que Lindbergh vem fazendo à gestão Cabral-Pezão, Dilma emendou: "Há uma extrema consciência do que nós copnseguimos realizar no Rio de Janeiro durante todo o governo do presidente Lule e durante o meu governo. Acho que, em poucos lugares do Brasil, nós construímos uma parceria tão fluida. […] Nós construímos, eu acho, um novo Rio de Janeiro."

– Leia mais sobre o tema aqui, aqui e aqui.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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