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Virgindade do 0 X 0 é um vexame para o Brasil

Josias de Souza

17/06/2014 19h38

O empate já justificaria a cara a meio pau dos torcedores. Mas foi pior. De todos os empates, o Brasil saiu da partida contra o México com um exasperante 0 X 0. Para uma seleção que ganhara a partida no noticiário da véspera, que entrara em campo embalada pela certeza profética da vitória, foi um vexame.

A vergonha está estampada no próprio enredo do jogo. O protagonista foi o goleiro mexicano Ochoa. Os coadjuvantes? Thiago Silva e David Luiz, os zagueiros brasileiros. Eis a verdade: além de não fazer gol, o Brasil correu o risco de levar.

Diz-se que as principais chances foram do time de Felipão. Alega-se que o Brasil quase tirou a virgindade do placar duas ou três vezes. O diabo é que o 'quase' não ganha jogo. Mal comparando, Tancredo Neves quase tomou posse. Deu José Sarney.

De resto, uma seleção que dispõe de Neymar e Cia. carrega nos ombros a obrigação de fazer pelo menos duas capelas Sistinas por partida.

Ah, ainda podemos arrancar a classificação de Camarões, dizem os otimistas. Verdade. Mas cabe perguntar: e quando vierem adversários de verdade? Alguns, como Alemanha e Holanda, já mostraram que não vieram à terra do futebol a passeio.

O que fazer? Por ora, duas coisas: baixar a bola e molhar a camisa. Aliás, isso já tinha ficado entendido na partida inaugural, contra a Croácia.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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