Blog do Josias de Souza

Categoria : Secos & Molhados

Tucano Perillo celebra o novo ministro de Temer
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Josias de Souza

Num instante em que o PSDB discute o desembarque do governo de Michel Temer, o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, festeja a chegada do deputado federal Alexandre Baldy à Esplanada dos Ministérios como se fosse a ascensão de um correligionário. Ex-secretário de Indústria e Comércio do governo de Perillo, Baldy foi eleito deputado federal em 2014 pelo PSDB. Migrou para o PTN, hoje rebatizado de Podemos. E está de malas prontas para o PP, a legenda do ‘Centrão’ que exigiu e obteve de Temer o Ministério das Cidades.

“Recebi essa informação com enorme alegria, contentamento e entusiasmo”, disse Perillo, que disputará o posto de presidente nacional do PSDB com o antigovernista Tasso Jereissati. Os dois medirão forças numa convenção marcada para 9 de dezembro. O embate precipitou a saída do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) do cargo de ministro das Cidades. Tomado pela euforia, Perillo parece ter apreciado a troca de Bruno por Baldy.

“Ele tem uma ampla visão, é um grande articulador, tem apoios importantes em todos os partidos da base do governo… Então, vai ser, certamente, muito importante para o país.” A opinião do país ainda não pode ser aferida. Mas o PSDB de Perillo está satisfeitíssimo com a escolha de Temer —ou de Rodrigo Maia, já que foi o presidente da Câmara quem sugeriu ao presidente que guindasse Baldy ao primeiro escalão.


Aposentadoria de Temer demonstra a necessidade de mudança, diz Planalto
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Josias de Souza

Em nota enviada ao blog, o Palácio do Planalto reconheceu que Michel Temer aposentou-se precocemente. “Realmente alcançou aos 55 anos o direito ao benefício”, informa o texto. A manifestação é uma resposta ao artigo veiculado aqui sobre o cinismo da campanha publicitária em que o governo critica privilégios previdenciários dos quais o presidente é beneficiário direto. Para o Planalto, o privilégio de Temer não envenena a propaganda oficial. Ao contrário, “demonstra a necessidade de atualizar o regime previdenciário, pois, aos 77 anos, o presidente continua trabalhando intensamente pelo país.”

Assina a nota Márcio de Freitas, secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República. Ele informa que o expediente diário de Temer dura até 15 horas. “Começa a trabalhar às sete, oito horas da manhã, ao telefone para buscar soluções para o país”, anota o documento. “Jornalistas testemunham rotineiramente a atividade no Palácio do Planalto todos os dias. Não raro a jornada do presidente chega às 22 horas.” Para Márcio, cínico mesmo é o “colunista ocioso”, que insinua que o presidente trabalha pouco.

Nos últimos cinco meses, a jornada de mouro a que Temer se submete “pelo país” mostrou-se mais efetiva na compra —com emendas orçamentárias e cargos— do apoio congressual que resultou no congelamento de duas denúncias. As peças da Procuradoria fizeram de Temer o primeiro presidente da história a ser formalmente acusado, em pleno exercício do mandato, de corrupção passiva, obstrução à Justiça e formação de organização criminosa.

O presidente preferiu manter sua reputação sub judici a permitir que o Supremo Tribunal Federal verificasse se as denúncias são consistentes, como alegam o Ministério Público e a Polícia Federal, ou ineptas. O esforço para obter o congelamento das investigações esfriou também o ânimo dos parlamentares em relação à reforma da Previdência. Lipoaspirada e desfigurada, a reforma converteu-se em minirreforma. E não não há, por ora, segurança quanto à aprovação. Sobre tudo isso, o auxiliar de Temer não disse nada.

Vai abaixo a íntegra da nota do Planalto:

O presidente Michel Temer começa a trabalhar às sete, oito horas da manhã, ao telefone para buscar soluções para o país. Jornalistas testemunham rotineiramente a atividade no Palácio do Planalto todos os dias. Não raro a jornada do presidente chega às 22 horas. Cinismo é colunista ocioso dizer que o presidente trabalha pouco, o que é a demonstração cabal de que o jornalismo abandonou a prática básica da apuração.

Michel Temer respeita o teto salarial desde que assumiu a vice-presidência da República, percebendo R$ 33,8 (valor bruto) entre vencimento mensal e aposentadoria. Realmente alcançou aos 55 anos o direito ao benefício, o que demonstra a necessidade de atualizar o regime previdenciário, pois, aos 77 anos, o presidente continua trabalhando intensamente pelo país.

Márcio de Freitas

Secretário Especial de Comunicação Social da Presidência da República


Barroso nega em nota candidatura à Presidência
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Josias de Souza

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, divulgou nota nesta quarta-feira para negar que acalente a pretensão de se candidatar à Presidência da República. Deve-se a manifestação a um artigo do repórter Elio Gaspari. No texto, o articulista incluiu Barroso no rol de cartas que podem entrar no baralho de 2018.

“Li hoje o artigo de Elio Gaspari que, analisando o quadro político, menciona o meu nome como possível alternativa a candidato a Presidente da República”, escreveu Barroso. “Gostaria de afirmar, de forma categórica, que eu vivo para pensar o Brasil e ajudar a aprimorar as instituições, mas sempre dentro da minha missão como professor e, circunstancialmente, como ministro do STF.”

Barroso acrescentou: “Em definitivo, asseguro que não passa pela minha cabeça qualquer projeto eleitoral, circunstância que comprometeria a autoridade e a independência de minhas posições.” O artigo de Gaspari está disponível aqui.


‘Infelizmente vou ter que sair’, afirma mandachuva da PF ao ser espremido
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Josias de Souza

Como se sabe, não existe pergunta constrangedora. O que há é resposta constrangedora. Alçado à direção-geral da Polícia Federal com o aval da banda investigada do PMDB, o delegado Fernando Segóvia dava uma entrevista, nesta terça-feira, quando a repórter Camila Bonfim indagou-o sobre suas vinculações políticas. E Segóvia, virando as costas: ‘Infelizmente, vou ter que sair agora, porque o ministro está me aguardando. Muito obrigado.”

O apadrinhado do ministro Eliseu Padilha e do ex-senador José Sarney, ambos do PMDB, Fernando Segóvia descobre da maneira mais dolorosa que, em política, todo mal começa com as explicações. Mas o doutor ainda não se deu conta de que o dano cresce na proporção direta da diminuição da vontade do imprensado de se explicar.


Após polêmica sobre Rio, Torquato se emociona
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Josias de Souza

O ministro Torquato Jardim (Justiça) avistou-se com o governador fluminense Luiz Fernando Pezão nesta segunda-feira. Foi a primeiro vez que os dois se encontraram desde a divulgação das declarações de Torquato sobre a cumplicidade entre a policiais militares e criminosos no Rio de Janeiro. Em solenidade com a presença de Michel Temer, o ministro se emocionou ao falar sobre sua infância na capital carioca, onde nasceu. Declarou que seu compromisso com a segurança no Rio é “pessoal”. Leia aqui notícia com mais detalhes.


PSDB sairá pela porta da frente, só que deitado
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Josias de Souza

Após exibir sua má reputação numa convenção estadual do PSDB em Minas Gerais, Aécio Neves trocou um dedo de prosa com os repórteres. A certa altura, disse haver no PSDB “um convencimento de todos” de que está chegando o momento de deixar o governo. Hã, hã… “Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos”, declarou Aécio. De fato, o tucanato sairá pela mesma porta que entrou. Mas numa posição diferente.

Os tucanos discutem a hipótese do desembarque há quase seis meses. As ameaças soam em ritmo diário desde que o grampo do Jaburu explodiu nas manchetes. Mas seus quatro ministros tucanos a rotina. Cumprem a agenda, levantam da poltrona e saem do ministério no fim do dia. Cumprem a agenda, levantam da poltrona e saem. Cumprem a agenda, levantam e saem. Cumprem a agenda, levantam e saem. Aproxima-se o dia em que os ministros tucanos sairão dos ministérios sem se levantar.

Pressionado, Temer prepara a execução. E os partidos do centrão já se prontificaram a carregar a alça do caixão. Ou seja: o PSDB sairá do governo pela porta da frente, como prevê Aécio, só que deitado.


Temer pede a Torquato que silencie sobre o Rio
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Josias de Souza

Michel Temer conversou com seu amigo Torquato Jardim, ministro da Justiça, nesta quinta-feira (2). Falaram pelo telefone sobre o curto-circuito que eletrificou as relações entre Brasília e Rio de Janeiro depois que o ministro dirigiu críticas cáusticas às autoridades de segurança do Estado supostamente governado por Luiz Fernando Pezão (PMDB). As observações do ministro foram publicadas aqui no blog.

Munido de panos quentes, o presidente encareceu ao ministro que silencie sobre as mazelas do Rio. Temer manifestou o desejo de restaurar a harmonia. E receava que novas críticas do titular da pasta da Justiça melassem o seu esforço para desligar a crise da tomada. Ao relatar a auxiliares o resultado de sua conversa com Torquato, o presidente disse que o ministro assumiu o compromisso de moderar o discurso.

Ficou entendido que a carta de uma hipotética saída do ministro da Esplanada não está, por ora, no baralho de Temer. O ministro e o presidente terão nova conversa nesta sexta-feira, dessa vez pessoalmente, no Palácio do Jaburu.


Mato Grosso: deputado vai da cadeia à presidência de Assembléia Legislativa
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Josias de Souza

Ao autorizar o Senado a anular as sanções cautelares impostas a Aécio Neves, o Supremo Tribunal Federal abriu um precedente ruinoso. Escorando-se no caso do grão-tucano, o plenário da Assembleia Legislativa do Mato Grosso libertou da prisão seu vice-presidente, o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD). Ele deixou a cadeia na quarta-feira da semana passada, após amargar uma cana de 40 dias. Agora, o ex-presidiário se prepara para assumir a presidência do legislativo mato-grossense por dois dias: 14 e 15 de novembro.

O presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (PSD), terá de assumir interinamente o governo do Estado, pois o governador Pedro Taques e seu vice, Carlos Fávaro (PSD), viajarão para o exterior. E Gilmar Fabris, envolvido no escândalo do mensalinho que o ex-governador Silval Barbosa pagava a parlamentares estaduais, assumirá os negócios da Assembleia por 48 horas, transformando-se em mais um símbolo do escárnio em que se converteu a política brasileira.

Gilmar Fabris estava preso por tentativa de obstruir o trabalho da Justiça. A ordem partira do ministro Luiz Fux, da Suprema Corte. Além de mandar prender o deputado, Fux suspendera o seu mandato. A Assembleia Legislativa do Mato Grosso já havia tentado, sem sucesso, votar a libertação do preso, devolvendo-lhe o mandato. Depois do refresco servido pelo Supremo a Aécio, todos os empecilhos foram removidos. Uma evidência de que há males que vêm para pior.


Temer e os áulicos vivem ilusão da ‘normalidade’
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Josias de Souza

Segundo a superstição de Michel Temer, revelada a aliados que lhe telefonaram para saber como estava sua saúde, o governo inaugura nesta semana uma nova fase. Um ciclo de “normalidade” administrativa. A percepção de Temer é compartilhada pelos áulicos do Planalto.

Falando do leito do Hospital Sírio Libanês, Temer informou que voltará ao batente na quarta-feira. “Ele está muito animado”, disse ao blog um parlamentar que conversou com o paciente. Tudo faz crer que o congelamento das denúncias da Procuradoria fez com que o presidente voltasse a acalentar o pior tipo de ilusão: a ilusão de que preside.

Na área econômica, a prioridade de Temer é colocar em pé a reforma da Previdência. O mandarim da Câmara, Rodrigo Maia, declarou que, numa escala de zero a 10, a chance de ser aprovada uma versão lipoaspirada da mexida previdenciária oscila entre 2 e 3. O comandante do Senado, Eunício Oliveira, afirmou que não é a melhor hora para tratar do tema.

Na área político-penal, Temer terá de tourear o inquérito em que figura como suspeito de beneficiar uma empresa no Porto de Santos. E não pode descuidar dos humores de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de R$ 500 mil, e de Geddel Vieira Lima, o amigo do cafofo com R$ 51 milhões. Loures arrasta uma tornozeleira eletrônica em casa. Geddel puxa cana na Papuda. Por ora, guardam obsequioso silêncio.

Numa conjuntura assim, tão sujeita a delações e trovoadas, se Temer consegue manter a cabeça no lugar enquanto tanta gente perde a sua, provavelmente já não sabe onde colocou a noção do perigo. Ou está exercitando o seu cinismo.