Blog do Josias de Souza

Categoria : Secos & Molhados

Artistas cobram uma providência de Rosa Weber
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Josias de Souza

Em vídeo divulgado nesta sexta-feira nas redes sociais, artistas cobram da presidente do TSE, Rosa Weber, uma providência contra a conversão do WhatsApp em centro difusor de informações falsas. Notícia veiculada na Folha revelou que empresários supostamente alinhados à candidatura de Jair Bolsonaro financiam ilegalmente a divulgação massiva de notícias anti-petismo.

Gleisi Hoffmann, a presidente do PT, veiculou o vídeo dos artistas em sua conta no Twitter. Representantes do partido estiveram com Rosa Weber. Na saída, disseram que a Corte máxima da Justiça Eleitoral deve posicionar-se ainda nesta sexta sobre o pedido de investigação formulado pelo PT.


Boa notícia: Renan não quer comandar o Senado
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Josias de Souza

Reeleito numa eleição em que os brasileiros jogaram ao mar velhos caciques da política, Renan Calheiros retornou a Brasília expressando-se como uma espécie de ex-Renan. O velho senador já não apoia nem a si mesmo. Diante de notícias sobre seu interesse em reassumir o comando do Senado, Renan apressou-se em anotar no Twitter:

“Não sou candidato à presidência do Senado. Não cogito e não quero. Já fui presidente quatro vezes, sendo o senador que mais se elegeu para esse cargo desde a redemocratização. A presidência não pode ser um fim em si mesmo e não há escassez de bons nomes. Essa agonia é para fevereiro.”

O desinteresse de Renan é uma notícia muito boa. Mas convém retardar o estouro dos fogos até fevereiro. A experiência mostra que, mais cedo ou mais tarde, Renan acaba correspondendo aos que não têm nenhum motivo para confiar nele.


Doria entra no segundo turno com o pé esquerdo
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Josias de Souza

João Doria chega à casa onde deveria encontrar Jair Bolsonaro, mas o capitão preferiu se abster

João Doria, o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, precisa se benzer. Passou para o segundo turno com dez pontos de vantagem sobre seu oponente. Desde então, enfrenta uma sucessão de trapaças da fortuna. Teve uma semana integralmente regida pela Lei de Murphy —“Quando uma coisa pode dar errado, ela dá errado”. Doria amargou três reveses.

1. Márcio França, o rival que Doria chama de “vermelho” e “esquerdista”, obteve o apoio do capitalista Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

2. Geraldo Alckmin, o padrinho político de Doria no tucanato, grudou nele a pecha de traidor. Fez isso a portas fechadas. Mas o áudio ganhou as manchetes antes que a maçaneta fosse virada.

3. Jair Bolsonaro, a nova paixão política de Doria, tratou-o como persona non grata. O tucano voou de São Paulo para o Rio com o deliberado propósito de posar ao lado do capitão. Que preferiu não dar as caras.

Nelson Rodrigues ensinou que, sem sorte, o sujeito não chupa nem um picolé, pois pode engasgar com o palito. No comitê eleitoral de Doria, a má sorte parece ter chegado junto com a inépcia. O candidato jura que não é político. Talvez por isso tenha exagerado na matreirice política.

Por esperteza, um candidato a governador pode declarar apoio a um presidenciável que caiu no gosto do eleitorado do seu Estado. Mas ir atrás do Bolsonaro, cortejar o Bolsonaro, enganchar a viabilidade de uma candidatura na conveniência do Bolsonaro…Fazer tudo isso sem combinar com o sorveteiro é mais ou menos como pedir para ser atropelado pela carrocinha de picolé antes da primeira lambida.

O direitista Doria entrou no segundo com o pé esquerdo.


Era o que faltava: a sucessão virou guerra santa
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Josias de Souza

Nesta sexta-feira (12), dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, a sucessão presidencial ganhou ares de guerra santa. Preocupado com a devoção de evangélicos pentecostais a Jair Bolsonaro, Fernando Haddad achegou-se aos católicos. Após participar de uma missa na periferia de São Paulo, Haddad relatou episódio que diz ter ocorrido na véspera, quando participou em Brasília de evento organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“Um ativista do Bolsonaro começou a ofender a Igreja Católica”, afirmou Haddad. “Nós nos retiramos da CNBB, onde a entrevista ia ser concedida. E ele começou a ofender a igreja chamando de ‘igreja comunista’, de ‘igreja gay’, coisas completamente sem sentido…”

A resposta de Bolsonaro veio por meio das redes sociais: “O PT agora tenta jogar católicos e evangélicos uns contra os outros. Essa divisão ofende várias famílias que, assim como a minha, são formadas por diferentes vertentes. Não conseguirão! Estamos todos unidos contra a inversão de valores que impera há anos e que destrói nosso país!”

Num país laico, envolver igrejas em campanhas políticas em é algo tão apropriado quanto convidar orquestras sinfônicas para festivais de rock. Deus, como se sabe, está em toda parte. Mas de maneira geral o Tinhoso é quem controla a sucessão presidencial de 2018.


Cabo Daciolo agora deseja anular a eleição! Hã?
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Josias de Souza

Se Deus pudesse escolher um local para viver, não hesitaria em optar pelo Brasil. Como não pode, nomeou Cabo Daciolo como seu legítimo representante. Num de seus recolhimentos espirituais, o embaixador do céu recebeu uma mensagem divina. O Todo-poderoso informou que Cabo Daciolo seria eleito presidente da República no primeiro turno.

O resultado das urnas como se sabe, foi outro. O representante do Senhor não saiu mal na foto. Obteve um honroso sexto lugar. Ficou à frente, por exemplo, de Henrique Meirelles e Marina Silva. Mas Cabo Daciolo, inconformado, decidiu contestar a apuração. Foi ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quarta-feira (10) para reivindicar o cancelamento das eleições.

Daciolo deseja que a votação seja refeita. Exige cédulas de papel, pois Deus escreve certo por linhas tortas. É improvável que a Justiça Eleitoral defira o pedido. Os sete ministros que integram a Corte decerto acreditam no brocardo segundo o qual a voz do povo é a voz de Deus. E talvez concluam que a urna eletrônica é um porta-voz mais confiável de Deus do que Cabo Daciolo.


Filho de Bolsonaro chama Haddad de ‘vagabundo’ e candidato repassa post
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Josias de Souza

Jair Bolsonaro repassou aos seus seguidores nas redes sociais post veiculado pelo filho Carlos Bolsonaro. Lê-se no texto o seguinte: “Aí surge o pau mandado do cachaceiro corrupto preso dizendo que quer combater fakenews! Isso é um vagabundo!”

Carlos respondia a uma postagem veiculada nesta terça-feira por Fernando Haddad. Nela, o presidenciável petista trombeteia um quadro comparando suas posições com as de Bolsonaro em relação a dez itens —do 13º salário à tributação de ricos. Os Bolsonaro sustentam que se trata de notícia falsa.

Na véspera, Haddad havia proposto ao adversário a celebração de um pacto contra a difusão de inverdades na internet. Bolsonaro reagira assim: “O pau mandado de corrupto me propôs assinar ‘carta de compromisso contra mentiras na internet’. O mesmo que está inventando que vou aumentar imposto de renda para pobre. É um canalha! Desde o início propomos isenção a quem ganha até R$ 5.000. O PT quer roubar até essa proposta”.


Em novo vídeo, o PT associa Bolsonaro a Hitler
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Josias de Souza

O crescimento de Jair Bolsonaro nas pesquisas na última semana do primeiro turno produziu um curto-circuito na campanha do rival Fernando Haddad. Até aqui, o petismo moderava o linguajar, terceirizando ao tucano Geraldo Alckmin a artilharia contra o capitão.

Nesta quinta-feira, o PT pendurou nas redes sociais um vídeo comparando o adversário a Hitler. É como se a campanha de Haddad tivesse concluído que, no trato com Bolsonaro, o pior tipo de excesso é o da moderação.


Geraldo Alckmin mostra que pior cego é o surdo
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Josias de Souza

Não se fala em outra coisa ao redor de Geraldo Alckmin: avança no tucanato de São Paulo uma aliança informal em favor do voto híbrido Bolsodoria —o capitão Jair Bolsonaro para o Planalto e o tucano João Doria para o Palácio dos Bandeirantes. Padrinho político de Doria, Alckmin se faz de desentendindo: “Não tenho nenhuma informação a esse respeito. Tem muito ‘fake news’. Estive ontem com o João Doria, num grande comício no Ibirapuera.”

Até bem pouco, dizia-se que Alckmin tinha dificuldades para encontrar soluções que levassem à decolagem de sua candidatura. Hoje, percebe-se que o presidenciável tucano já não consegue enxergar nem mesmo o problema. Os alertas sobre Doria e outros silvérios chegam aos ouvidos de Alckmin há tempos. Ao simular desconhecimento, Alckmin reforça a impressão de que, em política, o pior cego é o surdo, que se recusa a ouvir.


Banquete de Maduro em Istambul revolta venezuelanos, sob forte racionamento
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Josias de Souza

Ao retornar de uma viagem à China, encerrada no domingo passado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez escala em Istambul. Ao lado de sua mulher, Cilia Flores, foi filmado desfrutando de farta refeição no restaurante caro e badalado do chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae. Divulgadas nas redes sociais, as imagens causaram indignação entre os venezuelanos, submetidos ao flagelo da desnutrição, potencializado por um racionamento alimentar implacável.

Conhecido pelas coreografias que executa ao cortar as peças de carne que serve em sua casa de repastos, Salt Bae proporcionou ao casal Maduro um atendimento personalizado. “Isso é uma vez na vida!”, disse o mandachuva venezuelano, enquanto degustava fatias de uma carne suculenta indisponível nos açougues e supermercados da Venezuela. O próprio chef pendurou as imagens no Instagram e no Twitter. A coisa bombou. Os comentários exalavam indignação. Apagaram-se as cenas. Mas era tarde. Elas já haviam ganhado a web.

Não bastasse o banquete, Maduro deixou-se filmar sorvendo um charuto cubano, retirado de uma caixa que tinha o seu nome gravado numa placa dourada. Enquanto soltava baforadas de fumaça, o gestor da falência venezuelana observava, junto com a mulher, camisetas presenteadas pelo anfitrião. As imagens também mostram que o restaurante estava sob a proteção de guardas com o distintivo da polícia turca. Alguns ostentavam armamento pesado.

Um detalhe injetou ironia nas cenas: Maduro viajara ao exterior com o pires na mão, atrás de financiamentos que atenuem a falência do Estado venezuelano. Antes da China, visitara a Rússia. Retornou a Caracas nesta segunda-feira. Ao desembarcar, comentou sua experiência gastronômica. Enviou saudações ao cozinheiro Nusret Gökçe. “Ele nos atendeu pessoalmente, estivemos conversando, desfrutando com ele. Um homem muito simpático, ama a Venezuela.”

A fome, como se sabe, é o mais antigo dos hábitos humanos. Se Deus tivesse que aparecer para os venezuelanos famintos, não ousaria aparecer em outra forma que não fosse a de um prato de comida. Mas a situação na Venezuela é tão diabólica que a comida só aparece nos pratos daquelas que a fizeram sumir.