Blog do Josias de Souza

Categoria : Secos & Molhados

Cármen Lúcia: ‘Não deixe o samba morrreeerrr..!’
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Josias de Souza

Num instante em que as decisões do Supremo, por contraditórias, parecem buscar inspiração em Sérgio Porto, criador do ‘Samba do Crioulo Doido’, a ministra Cármen Lúcia surpreendeu Alcione, deixando a cantora receosa: “Tô desempregada!”, disse, depois que a presidente da Suprema Corte, sob seu comando, trocou o data venia pelos versos de Edson Conceição e Aloísio Silva: “Não deixe o samba morrreeerrr…”

A cena transcorreu nesta segunda-feira, num palco inusitado: o edifício-sede do STF. Deu-se após um seminário organizado pelo CNJ, o Conselho Nacional de Justiça. Batizado de ‘Elas por Elas’, o encontro teve o propósito de debater o papel da mulher no Estado e na sociedade. Terminou em algo muito parecido com uma roda de samba.

“Vai, Cármen Lúcia”, estimulou Alcione. Junto com a anfitriã, caíram, por assim dizer, no samba: Raquel Dodge, procuradora-geral da República; Laurita Vaz, presidente do STJ; Grace Mendonça, advogada-geral da União; Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza; e Lucia Braga, presidente da Rede Sarah de Hospitais.

Alcione divulgou as imagens no Instagram. “Não tem como medir o prazer de estar na companhia dessas mulheres incríveis”, anotou. Para quem está habituado a assistir aos arranca-rabos das togas nas sessões plenárias, a roda de samba foi um supremo refrigério.


Insultado por Ciro, Eunício se junta a Cid Gomes
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Josias de Souza

Eunício se junta a Cid, cujo irmão o chama de ‘corrupto’, e Camilo, cujo partido o tacha de ‘golpista’

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) costuma dirigir ao presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) insultos que, se fossem pronunciados no século 19, só seriam lavados com sangue, num duelo. No mês passado, chamou-o num discurso em Fortaleza de “corrupto”, “picareta” e “assaltante dos dinheiros do povo”. No entanto, Cid Gomes, irmão e coordenador da campanha presidencial de Ciro, celebrou uma aliança política com o malfeitor. Eunício divulgou nesta quarta-feira o clipe de sua campanha. Nele, Cid aparece do seu lado, com um sorriso nos lábios.

Cid Gomes e Enício Oliveira já haviam se aliado quando o irmão de Ciro governou o Ceará. Rompidos, participaram da campanha de 2014 em palanques opostos. Reconciliados, juntaram-se agora, em 2018, para concorrer às duas vagas de senador em disputa no Ceará. Os dois integram a chapa encabeçada pelo governador cearense Camilo Santana, do PT. Camilo pleiteia a reeleição. E também não hesitou em dar as mãos a Eunício, personagem que o petismo nacional tacha de “golpista” por ter votado a favor do impeachment de Dilma Rousseff. (veja abaixo o clipe que exibe a imagem dos três, sob os dizeres: “Juntos pra fazer.”

No último dia 12 de julho, num ato partidário do PDT em Fortaleza, Ciro declarou:  “…Toda a minha agressividade é contra a ladroeira. Já fui processado pelo Michel Temer, já fui processado pelo Eduardo Cunha, já fui processado pelo Eunício Oliveira —esse aí pelo menos uns 70 processos—, mas não tem um homem de bem que tenha me levado à Justiça. Só o puro corrupto, o puro picareta, o puro assaltante dos dinheiros do povo.” (assista abaixo)

Difícil saber quem é inimigo de quem na política. Mas Ciro, irmão zeloso, depois de tantos xingamentos e processos judiciais, talvez devesse ter aconselhado o irmão, coordenador de sua campanha, a manter distância quilométrica do “corrupto”, “picareta” e “assaltante dos dinheiros públicos”. Do contrário, quem olha de longe pode não distinguir quem é quem. Ou concluir que a política é mesmo o território da farsa.


Explicado: Daciolo confundiu Ciro com Manuela
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Josias de Souza


Sem vocação para a Presidência da República, Cabo Daciolo revelou-se no debate da Band um candidato favorito à conquista do título de revelação humorística da campanha de 2018. O ponto alto do seu desempenho foi a pergunta endereçada ao “fundador do Foro de São Paulo” Ciro Gomes sobre a Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Ciro não fundou o “foro” nem sabia da existência da Ursal.

O vídeo exibido acima ajuda a explicar a confusão. Nele, Manuela D’Ávila (PCdoB), a candidata a vice-poste na chapa tríplex do PT, informa que se encontra em Buenos Aires nesta sexta-feira. Gravou a peça a caminho de uma reunião com o ex-presidente uruguaio Jose Mujica. Convidou-o para ocupar a presidência da Ursal. Cabo Daciolo odiará saber, mas Mujica aceitou o convite (veja foto no rodapé).

No debate da noite de quinta-feira, Ciro estranhou a pergunta de Daciolo. “Meu estimado Cabo, eu tive muito prazer de conhecê-lo hoje. E pelo visto o amigo também não me conhece. Não sei o que é isso, não fui fundador do Foro de São Paulo.” O rival insistiu: “Sabe, sim. Estamos falando aqui de um plano que se chama Nova Ordem Mundial: conexão de toda a América do Sul, tirando todas as fronteiras e fazendo uma única nação.” Ciro jogou a toalha: “A democracia é uma delícia, mas ela tem certos custos.” (reveja abaixo)

Para “honra e glória do senhor Jesus”, a confusão foi esclarecida. Cabo Daciolo decerto confundiu Ciro com sua amiga Manuela. Culpa de Ciro, que conduziu a língua na coleira durante o debate da Band, apresentando diante das câmeras uma versão de sua personalidade que definiu como “doce de coco”. Agora, Daciolo terá de voltar seu olhar para o Uruguai, de onde Mujica tramará “a conexão de toda a América do Sul, tirando todas as fronteiras e fazendo uma única nação.”

Os brasileiros podem ficar tranquilos, pois Cabo Daciolo já avisou: na sua hipotética Presidência, “o comunismo não vai ter vez.” A sorte do pseudo-candidato do partido Patriota é que o humor compreende tudo, inclusive o seu mau humor, que não compreende nada.


Falido como partido, PT tenta a sorte como igreja
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Josias de Souza

Impossibilitado de apresentar o seu candidato no debate presidencial da TV Bandeirantes, o PT decidiu realizar um evento paralelo. Transmitirá no mesmo horário, pela internet, o “Debate com Lula”. O nome não faz jus à iniciativa, pois Lula, preso em Curitiba, não dará as caras. E não haverá um debate, mas uma espécie de culto de adoração à divindade petista.

Em comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira, o PT anotou: “Lula prometeu e, enquanto é mantido injustamente como preso político, sua voz segue ecoando por milhões de outras vozes espalhadas por todo o Brasil. E nesta quinta-feira, quem terá a missão de falar em nome do ex-presidente, durante debate transmitido em suas redes sociais, a partir das 22h, será a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann; o porta-voz de Lula, Fernando Haddad; um dos coordenadores do Plano Lula de governo, Sérgio Gabrielli; e Manuela D’Ávila.”

Se o texto do Partido dos Trabalhadores significa alguma coisa, é o seguinte: a legenda não tem medo da morte. Mais: acredita em vida depois da morte. Melhor: a nota passa impressão de que a legenda de Lula já alcançou o paraíso. Após fenecer como partido, o PT ressurge na forma de uma religião. E tenta a sorte como igreja.

Missionários dos novos tempos, Gleisi, Haddad, Gabrielli e até a pecedobê Manuela se dispõem a arrastar as correntes do seu líder messiânico na internet porque são movidos por uma fé de inspiração cristã. O ingrediente da dúvida não faz parte do credo lulista. Seus devotos se alimentam da certeza de que a divindade presa é uma potência moral, que não deve contas senão à sua própria noção de superioridade.

Preso, Lula está em toda parte, menos no debate da TV Bandeirantes. Ali, a lei dos homens não permite que um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro se apresente ao eleitorado pagão como um novo Messias.


Bolsonaro tortura o idioma para socorrer seu vice
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Josias de Souza

Jair Bolsonaro utiliza a língua com frequência cada vez maior. Agora só falta aprender a usar o idioma. Nesta terça-feira, o presidenciável do PSL torturou o português para socorrer o general Hamilton Mourão, seu vice.

Na véspera, Mourão dissera: “Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem é oriunda do africano…”

E Bolsonaro: “O que é a indolência? É a capacidade de perdoar? Veja aí no dicionário. É a capacidade de perdoar? O índio perdoa. Não é isso?” Os dicionários anotam muitas acepções para o vocábulo “indolência”. Nenhuma delas delas se parece com perdão: ociosidade, preguiça, desleixo, negligência, apatia…

Quanto à malandragem, Bolsonaro encontrou um sinômino dicionarizado: esperteza. É a mesma coisa? É isso? Ôhhhh… Me chamam de malandro carioca o tempo todo.” O diabo é que, no contexto em que foi usada pelo vice-esperto, a palavra “malandragem” é sinônimo de vagabundagem.

O capitão disse ter conversado com seu vice sobre a polêmica. Aconselhou o general a adotar o principio da moderação. Bolsonaro apresentou-se como um modelo no qual Mourão pode se inspirar. Hummmmm…

Para azar de Mourão, de todas as extravagâncias praticadas por Bolsonaro a menos perceptível é o excesso de moderação. O general talvez tenha de procurar outra referência.

Por sorte, a herança ibérica inclui o português. O general e o capitão podem se desentender falando o mesmo idioma. Imagine se a dupla tivesse de se expressar em tupi-guarani!


Janot comenta licitação suspeita: ‘Até quando?’
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Josias de Souza

Imaginou-se que a Lava Jato seria um marco redentor no país, o prenúncio de um ciclo de moralidade. Contudo, a reiteração das fraudes vai deixando claro que o Brasil continua o mesmo. Ao petrolão, reincidência do mensalão, seguiram-se inúmeros escândalos —os federais somando-se aos estaduais, e estes misturando-se aos municipais.

Ao tomar conhecimento da notícia do UOL sobre a suspeita de fraude numa licitação da Secretaria de Educação de São Paulo (leia aqui), o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot indagou: “Até quando?” Assim, com apenas duas palavras e um ponto de interrogação, o ex-chefe do Ministério Público Federal resumiu o desalento de uma era.


A Lava Jato derreteu duas Presidências (Dilma e Temer), encarcerou um ex-presidente (Lula), esfarelou um quase-presidente (Aécio), passou na tranca gigantes da oligarquia política e empresarial (Cunha e Odebrecht, por exemplo)… Mas nem a exposição das vísceras do complô que saqueia o Estado conseguiu deter a pilhagem.

É como se a única consequência da onda de lodo fosse a produção de outra onda, e outra, e outra… Até resultar num gigantesco oceano, sobre o qual flutua um país condenado à deriva perpétua. “Até quando?”


Gleisi desconversa sobre vice na porta da cadeia
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Josias de Souza

O PT tornou-se um partido sui generis. Com a prisão do líder supremo da legenda, vários sub-líderes petistas passaram a cultivar a ilusão de que estão autorizados a dizer coisas definitivas. Mas nada mudou. Apenas Lula define as coisas.

O PT realiza neste sábado a convenção que formalizará a candidatura cenográfica de Lula. Articulou-se ao longo desta sexta-feira o anúncio de Manuela D’Ávila, suposta presidenciável do PCdoB, como vice na chapa a ser hipoteticamente encabeçada por Lula até a escolha de um poste.

No final da tarde, travestidos de advogados do condenado, estiveram na cela especial de Curitiba Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad, respectivamente presidente do PT e candidato a poste. Em conversa com a dupla, Lula desarticulou o que se imaginava articulado.

Escalada para falar na saída, Gleisi, a pseudo-presidente do PT, desconversou sobre o preenchimento da vaga de vice. Negou que o nome de Manuela esteja definido. Incluiu Ciro Gomes no rol de opções. E jogou a definição sobre o número 2 para as vésperas do pedido de registro do número 1 na Justiça Eleitoral, em 15 de agosto.

Lula transformou a definição da chapa presidencial do PT num divertido passatempo. Movido por uma inquebrantável predisposição imperial, o presidiário de Curitiba brinca de cubos supondo que o mundo permanecerá congelado até que ele defina as duas peças que faltam no quebra-cabeça. Mais: acha que o TSE se submeterá aos seus caprichos.


Tarso Genro critica o PT por rifar Marília Arraes
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Josias de Souza

O grão-petista Tarso Genro reagiu com assombro ao acordo PT-PSB, costurado por Lula desde a cela especial de Curitiba. O que mais lhe causou espanto foi a decisão do PT de implodir a candidatura da vereadora petista Marília Arraes ao governo de Pernambuco, retirando-a do caminho do governador Paulo Câmara, candidato à reeleição.

Em nota veiculada no Twitter, Tarso duvidou de sua própria sanidade: “Peço a Deus e às forças do além, que eu não esteja entendendo bem que foi feito um acordo PT-PSB, que descarta a candidatura da Marília Arraes ao governo de Pernambuco, o grande quadro renovador da esquerda do Nordeste! Aguardemos!”