Blog do Josias de Souza

Categoria : Outros

Temer agora trama adiar o julgamento do TSE
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Josias de Souza

Michel Temer e seus operadores políticos alteraram a estratégia para lidar com o julgamento que pode resultar na cassação do mandato presidencial no Tribunal Superior Eleitoral. Antes da delação da JBS, o Planalto tinha pressa. Agora, leva o pé ao freio. Trama-se o adiamento da decisão. Para que o plano dê certo, será necessário que um dos sete ministro da Corte Eleitoral se disponha a pedir vista do processo, a pretexto de analisar melhor uma causa já bem conhecida.

O julgamento está marcado para 6 de junho. Questiona-se a utilização de verbas sujas no financiamento da chapa Dilma-Temer. Estima-se que o veredicto sairá em três dias. Prevalecendo a tática de Temer, o desfecho pode ser jogado para as calendas, pois não há prazo para a devolução do processo. Deve-se a tentativa de fuga à reversão do placar. Conforme já noticiado aqui, o Planalto contava com uma vitória apertada: 4 a 3. Passou a recear uma derrota pelo mesmo placar.

Resta saber se haverá no TSE um ministro com disposição para entrar num jogo de empurra que permitirá a Temer voltar a confiar no amanhã, desde que não se descubra mais nada contra ele durante à noite.


TSE e Rocha Loures são os temores de Temer
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Josias de Souza

Com uma capacidade cada vez mais limitada de fazer e acontecer, Michel Temer tornou-se presidente de prioridade única. Ele se dará por satisfeito se conseguir cumprir seu novo objetivo estratégico: não cair. Compartilhou com pessoas de sua confiança duas inquietações. Receia que o Tribunal Superior Eleitoral lhe casse o mandato. E teme que uma eventual delação do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures —o homem da mala— elimine sua margem de manobra antes mesmo do início do julgamento do TSE, marcado para 6 de junho.

Antes do pacote de delações da JBS, Temer havia apagado o TSE da sua lista de problemas. Estimava que teria uma vitória na Justiça Eleitoral pelo placar de pelo menos 4 a 3. As posições dos sete julgadores eram antecipadas no Planalto como se o jogo estivesse jogado. Salvariam Temer os ministros Gilmar Mendes, Tarcísio Vieira, Admar Gonzaga e Napoleão Nunes Maia. Votariam pela cassação o relator Herman Benjamin, Rosa Weber e, talvez, Luiz Fux.

Depois que vieram à luz os resultados da colaboração judicial da JBS, o que o Planalto considerava um grande trunfo voltou-se contra Temer. Dizia-se que a maioria dos ministros faria uma leitura atenuatória dos fatos relacionados ao presidente para não conturbar uma administração que começava a exibir resultados na economia.

Agora, o feitiço do julgamento político começa a se voltar contra o feiticeiro, cuja permanência no cargo passou a ser vista como ameaça à tímida recuperação dos indicadores econômicos. O Planalto ainda contabiliza um placar de 4 a 3, só que contra a permanência de Temer.

Ironicamente, uma adesão do TSE ao ‘fora, Temer’, levaria a um resultado mais técnico. O veredicto não precisaria comprar a fábula segundo a qual Temer assumiu a cadeira de presidente por ser beneficiário dos 54 milhões de votos que os brasileiros deram a Dilma, mas não tem nada a ver com a dinheirama suja que financiou a campanha que produziu esse resultado.

A esperança de Temer de se salvar no TSE diminui na proporção direta do agravamento da crise. À procura de uma porta de incêndio, caciques do Congresso assediam a Justiça Eleitoral com pouca cerimônia. Para complicar, os operadores do presidente estão inseguros em relação aos humores de Rocha Loures, o personagem filmado recebendo a mala com propina de R$ 500 mil da JBS, dias depois de ter sido credenciado por Temer como sua ponte de ligação com o delator Joesley Batista.

Num primeiro momento, o ex-assessor de Temer, hoje deputado federal afastado do exercício do mandato pelo STF, mandara recados tranquilizadores para o Planalto. Sinalizara a intenção de matar a encrenca no peito, como se diz. Distanciaria a mala de dinheiro da figura de Temer, assumindo todas as culpas. Nos últimos dias, porém, Rocha Loures passou a sofrer pressão de sua família para tornar-se um colaborador da Justiça, negociando uma redução de castigo. De repente, fecharam-se os dutos de comunicação com emissários do governo.

Em viagem à Itália, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) comentou com um amigo, pelo telefone: “O Rocha Loures foi meu chefe de gabinete no governo do Paraná. É moço de família rica, um rapaz de ouro. Não vai suportar essa pressão. Vai entregar.”

Um auxiliar de Temer sustenta que não há o que “entregar”. A declaração não combina com o medo que se espraia pelo Planalto. Contrasta também com o relato do delator Ricardo Saud, executivo da J&F, a holding que controla a JBS. Ele contou aos procuradores que o interrogaram que Rocha Loures era um mero intermediário. A negociação da propina era feita, segundo Saud, diretamente com o presidente Temer.

“Eu tenho certeza absoluta que nós tratamos propina com o Temer, nós nunca tratamos propina com o Rodrigo [Rocha Loures]”, declarou o delator. “O Rodrigo foi um mensageiro que Michel Temer mandou para conversar com a gente, para resolver os nossos problemas e para receber o dinheiro dele.”

O interrogador indagou: “Essa é a visão também que o Joesley [Batista] passou pra você. Quem teve pessoalmente contato com o Temer para esse assunto foi o Joesley, né?” E Saud: “Foi o Joesley. Eu tô afirmando para o senhor porque não tratamos de propina com Rodrigo Rocha Loures.”


Policiais atiraram na direção dos manifestantes
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Josias de Souza

Dois policiais militares do Distrito Federal apontaram e atiraram na direção de manifestantes durante o pretesto desta quarta-feira, na Esplanada dos Ministérios. A filmagem, feita nas proximidades da pasta da Agricultura, foi veiculada no site do Globo.

Minutos depois, participantes do protesto socorreram uma pessoa. Estava ferida no ombro, no gramado central da Esplanada. A Secretaria de Saúde confirmou que um homem foi atingido por um tiro de arma de fogo. Não se sabe se a vítima foi atingida pelos policiais. O baleado foi atendido no Hospital de Base do Distrito Federal.


Temer aciona as Forças Armadas para restabelecer a ordem na Capital federal
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Josias de Souza


Michel Temer acionou as Forças Armadas para conter protesto anti-governo e contra as reformas trabalhista e previdenciária. Convocado por centrais sindicais e movimentos sociais, o ato descambou para o quebra-quebra e a violência. A ação dos soldados se estenderá até 31 de maio (veja imagem do decreto abaixo). Segundo o ministro Raul Jungmann, da Defesa, a operação de ‘Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal’ foi requisitada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-DF).

Houve reação instantânea no plenário da Câmara. Deputados do PT e de partidos que apoiam a manifestação, que também pede a renúncia de Temer e a convocação de eleições presidenciais diretas, revoltaram-se ao saber que o pedido para acionar as Forças Armadas partira de Rodrigo Maia. Houve tumulto. A sessão foi suspensa. O presidente da Câmara convocou os líderes ao seu gabinete. Antes, informou que requisitara o auxílio da Força Nacional, não das Forças Armadas.


PF procura Temer para marcar seu depoimento
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Josias de Souza

A Polícia Federal procurou a defesa de Michel Temer. Pediu o agendamento de uma data para que o presidente preste depoimento como investigado. Inconformada, a defesa de Temer encaminhou ofício ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Tenta impedir o interrogatório.

Assinam o texto protocolado no Supremo os advogados Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Gustavo Bonini Guedes. Informam o que ocorreu: “Nesta data, há poucos minutos, por meio de uma ligação ao primeiro advogado signatário, escrivã da Polícia Federal identificada como Cristiane apresentou questionamento sobre ‘a data em que o Presidente poderia ser inquirido’ pela autoridade policial.”

Reclamam da “precipitação”, já que a PF ainda nem concluiu a perícia no áudio da gravação da conversa entre Temer e o delator Joesley Batista, da JBS: “…Com o devido respeito, entende-se como providência inadequada e precipitada, conquanto ainda pendente de conclusão a perícia no áudio gravado por um dos delatores, diligência extremamente necessária diante das dúvidas gravíssimas levantadas – até o momento – por três perícias divulgadas.”

Os advogaos realçam que o próprio Supremo valoriza a perícia da gravação: “Inclusive, houve reconhecimento da importância da prova pericial nos despachos de Vossa Excelência [Fachin] e da ministra-presidente [Cármen Lúcia], na medida em que determinaram a ultimação no menor prazo possível, com a apresentação de quesitos ainda no final de semana e prazo para as partes se manifestarem na sequência de sua conclusão.”

De resto, os defensores de Temer sustentam que um delegado de polícia não é autoridade competente para inquirir um chefe do Executivo. “Se o Presidente da República for ouvido deverá sê-lo em ato presidido por Vossa Excelência [Fachin] ou responder por escrito quesitos adredemente elaborados.” O relator da Lava Jato ainda não se posicionou sobre a petição.


PSD já discute desembarque do governo Temer
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Josias de Souza

Michel Temer tornou-se um presidente minoritário na bancada de senadores do PSD, partido do ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia, na foto). Dos cinco senadores da legenda, três avaliam que Temer não tem mais condições de presidir o país: Omar Aziz (AM), Lasier Martins (RS) e Otto Alencar (BA). Um está em dúvida: Sérgio Petecão (AC). Apenas José Medeiros (MT) manifesta-se a favor da permanência do partido no bloco que dá suporte legislativo ao governo.

O senador Lasier Martins relatou ao blog como se formou o placar: “Fizemos consultas recíprocas no plenário. E chegamos a esse resultado. O Otto Alencar, o Omar Aziz e eu entendemos que não há mais clima para o Temer continuar. O José Medeiros acha que, por enquanto, Temer merece defesa. E o Sérgio Petecão está em dúvida. Ele quer que façamos uma reunião para debatermos a questão. Mas já temos uma maioria formada.”

Lasier disse que pretende conversar com Kassab, que comanda a legenda. “Vou propor ao Kassab que realize uma reunião com todo mundo, senadores e também deputados. Precisamos tomar uma posição conjunta das duas bancadas. É preciso saber inclusive qual é a posição do ministro. Vai ficar até quando?” O PSD tem 37 deputados federais. O repórter apurou que o debate sobre a conveniência de tomar distância de Temer fervilha também na bancada da Câmara.


Rodrigo Maia age como pretendente ao trono
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Josias de Souza

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tornou-se a principal evidência do derretimento de Michel Temer. Sob holofotes, age como se apostasse na estabilização do governo. Nos subterrâneos, já não consegue disfarçar sua condição de pretendente ao trono.

Nas reuniões do Alvorada, Maia discursa como se Temer estivesse cheio de vida. Na intimidade da residência oficial da presidência da Câmara, move-se como um Roger Moore nos sapatos de James Bond, pronto para lançar mão de sua licença de 007 para matar.

A sorte sorriu para Rodrigo Maia no dia em que o plantou sobre a linha de sucessão da Presidência da República. O deputado abusa da sorte ao imaginar que pode assumir o Planalto para cumprir a atribuição constitucional de convocar eleições indiretas para dali a 30 dias e, simultaneamente, conspirar a favor de sua permanência na cadeira até 2018.

Genro do ministro palaciano Moreira Franco, o Angorá das planilhas da Odebrecht, Rodrigo Maia, o “Botafogo” da lista da empreiteira, acredita no amanhã como se nada pudesse ser descoberto sobre ele à noite. Gente como Renan Calheiros, PhD em crepúsculo, revela-se surpreso com tamanha desenvoltura. Conta, em privado, que Maia já dispõe até de uma alternativa de vice: Aldo Rebelo, do PCdoB.


Grupo de senadores quer Lula e FHC na articulação de novo governo sem Temer
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Josias de Souza

Em reunião encerrada na madrugada desta quarta-feira, um grupo de cerca de 20 senadores debateu a crise. Houve consenso quando à inevitabilidade da interrupção do mandato de Michel Temer. Generalizou-se a percepção de que a saída passa pela impugnação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, em julgamento marcado para 6 de junho. A maioria concluiu que convém envolver na articulação para a escolha de um hipotético substituto de Temer os ex-presidentes Lula, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney.

O encontro ocorreu na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Foi a segunda reunião do grupo. A primeira acontecera na véspera. Compareceram senadores de vários partidos. Entre eles Renan Calherios (AL), Eduardo Braga (AM) e José Maranhão (PB), do PMDB; Lindbergh Farias (RJ) e Paulo Paim (RS), do PT; Lasier Martins (RS), do PSD; e Armando Monteiro, (PE), do PTB.

Planeja-se elaborar uma pauta minima de temas em torno dos quais o grupo consiga convergir e atrair mais parlamentares. Parte dos presentes defende a convocação de eleições presidenciais diretas. Mas não ignora que a hipótese mais provável é de que a escolha de um eventual substituto para Temer será feita pelo Congresso, em eleição indireta.

Emergiu do debate um perfil do candidato que o grupo considera mais adequado para o caso de prevalecer a escolha indireta. Eis algumas das características: 1) Não pode ter a ambição de se reeleger em 2018; 2) Deve ter em mente que não será mais possível aprovar reformas como a da Previdência; 3) Não pode ser membro do Judiciário; 4) É preferível que não seja também do Legislativo; 5) Não pode tratar a classe política a vassouradas; 6) O ideal é que seja referendado por Lula, FHC e Sarney.

Um dos participantes da conversa disse ao blog que, no momento, o nome que mais se encaixa nesse modelo é o de Nelson Jobim —ex-ministro de FHC e de Lula, ex-presidente do Supremo e ex-deputado federal. Tem um inconveniente: precisaria se desligar do Banco BTG Pactual, do qual tornou-se sócio.

– Atualização feita às 13h11 desta quarta-feira (24), às 13h59: O senador Lasier Martins (PSD-RS) enviou ao blog a seguinte nota: “Fui convidado ontem pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para um jantar de senadores em sua casa, segundo ela um encontro informal de caráter suprapartidário. Não foi bem isso. O grupo ali presente era predominantemente do PT. Participei das discussões, dei minha opinião e pedi licença para me retirar, pois tinha outro compromisso. Ao sair, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ainda não tinha chegado, quando então surgiu um perfil de nomes considerados apropriados para uma eventual eleição indireta para suceder o presidente Temer. Não participei, pois, destas especulações.”