Blog do Josias de Souza

Categoria : Vídeos

Com Lula à beira do abismo, Palocci se apresenta para o papel de sabonete
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Josias de Souza

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Lula, Dilma e o PT afirmam que não praticaram nenhum crime. O que há é um complô de investigadores mal intencionados, mancomunados com juízes parciais, uma imprensa golpista e quase oito dezenas de delatores vagabundos que não hesitam em inventar mentiras. Pois bem. Surgiu uma novidade nesse enredo: Antonio Palocci, petista de quatro costados, sinalizou a Sergio Moro o desejo de delatar.

Até aqui, o petismo só foi delatado por terceiros. Enquanto Lula e Dilma fazem barulho em liberdade, petistas como José Dirceu e João Vaccari guardam obsequioso silêncio atrás das grades. Preso e cercado pelos investigadores, Palocci parece não dispor da mesma capacidade de resistência. Ofereceu a Sérgio Moro “nomes, endereços e operações”. Coisa suficiente para ocupar a Lava Jato por mais um ano. Se forem incluídos no lance os empresários que o adularam o poder petista nos últimos 13 anos, vai faltar mão-de-obra à investigação.

A situação é mais ou menos a seguinte: Lula, Dilma e o PT estão na beira do abismo. E Palocci se oferece à Lava Jato para fazer o papel de sabonete. Se contar tudo o que sabe, ficará difícil para os companheiros equilibrar-se na borda do precipício sem escorregar nas revelações de Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma. Para essa dupla, desqualificar o neo-delator seria como cuspir no reflexo do espelho.


Delações derretem estratégia da defesa de Lula
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Josias de Souza

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Surgiu entre os delatores o engenheiro escalado pela Odebrecht para realizar a reforma do sítio de Atibaia: Emyr Costa. Ele conta como tocou a obra, fala do dinheiro vivo que teve que manusear e dá nomes aos bois. Como se fosse pouco, informa que, sob orientação de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, elaborou um contrato falso para apagar da obra as digitais da Odebrecht e da família Lula. E a defesa de Lula apenas repete: não há nada contra o ex-presidente. Vem aí a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS. Vai falar sobre a reforma do tríplex do Guarujá.

No caso do sítio, a versão oficial é de que Lula, sem pagar nenhum tostão, instalou-se na propriedade com licença dos supostos proprietários para usar e abusar, reformar e trocar a mobília, virar do avesso se quisesse. O problema desse enredo é que ele divide os brasileiros em dois grupos: os cínicos e os azarados como você e os mais de 200 milhões de patrícios que ainda não encontraram amigos tão generosos, capazes de ceder, por empréstimo perpétuo, um sítio paradisíaco.

Apesar de tudo o que está na cara, a defesa sustenta que Lula é um inocente candidato à Presidência, vítima de perseguição. Isso pode adoçar o enredo, mas não modifica o epílogo. Em maio, Sergio Moro interrogará uma pose, não um réu. Depois, condenará um projeto político, não um culpado por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Se a sentença for confirmada na segunda instância, como parece provável, vai ao xadrez um mártir petista, não um presidiário. Mas nenhuma dissimulação retórica elimina o risco real de o PT ficar num mato sem candidato.


Temer tenta retirar cartolas de dentro do coelho
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Josias de Souza

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É dura a vida de Michel Temer. No comando de um governo precário e lotado de suspeitos, o presidente se esforça para convencer um Congresso desmoralizado a aprovar reformas impopulares. Diante desse desafio estupendo, Temer ostenta o melhor discurso que pôde arranjar. Em encontro com deputado governistas, ele disse que é preciso “resistir” à situação delicada criada pela Lava Jato por meio do trabalho. Afirmou, com outras palavras, que o Congresso precisa se mostrar útil, para atenuar a desmoralização.

Temer parece tirar inspiração de uma conversa que teve com Fernando Henrique Cardoso. Numa fase em que o Supremo Tribunal Federal ainda não tinha jogado as delações da Odebrecht no ventilador, FHC disse a Temer que é nos momentos de caos que o Brasil costuma avançar. Foi assim, segundo ele, no governo Itamar Franco. O país vinha de um impeachment, o governo era de transição e o escândalo dos anões do Orçamento ardia nas manchetes. Com tudo isso, aprovou-se o Plano Real.

Temer vende aos aliados a tese de que a aprovação das reformas fará o PIB brasileiro crescer como um foguete. Com sua retórica exagerada, tenta convencer sua tropa de que é melhor servir o remédio amargo agora do que chegar às eleições de 2018 ainda sob os efeitos do câncer da recessão. Temer sabe que, se fraquejar no Congresso, seu governo perde o sentido. Disse à infantaria governista que não é hora de acoelhar-se. A imagem do coelho é sugestiva. Se Temer fosse um mágico, não bastaria tirar coelhos da cartola. Teria de tirar cartolas de dentro do coelho.


Manter os ministros suspeitos é temeridade inútil
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Josias de Souza

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Michel Temer reagiu à devastação provocada pela colaboração da Odebrecht com um par de entrevistas. Nelas, o presidente reiterou que não cogita afastar nenhum dos ministros enrolados no escândalo. Alguns desses ministros frequentam a cozinha do Palácio do Jaburu, onde mora o presidente. A decisão de Temer, com trocadilho, é uma temeridade inútil. O gesto é temeroso porque carboniza a legitimidade do governo, que já é baixa. É inútil porque os ministros vão cair cedo ou tarde —pela simples e boa razão de que a situação deles tornou-se insustentável.

Num ambiente de franca deterioração moral, a única providência aceitável de Temer seria a exoneração dos ministros sob investigação. Isso não significa condenar ninguém previamente. Todos têm o direito de se defender. Mas o brasileiro comum, que molha a camisa diariamente para encher a geladeira, tende a achar que o melhor é que os suspeitos se defendam longe dos cofres públicos, como mandam a lógica, o bom senso e a prudência.

Temer continua apostando nas reformas econômicas como seu principal balão de oxigênio. Faz bem. É o que lhe resta. Mas, para que a coisa funcione, quem pede sacrifícios à sociedade precisa pelo menos parecer decente. Ao manter do seu lado auxiliares tóxicos, rezando para que alguns tomem a iniciativa de pedir para sair, o presidente acaba correpondendo a todos os que não têm qualquer motivo para confiar nele. A essa altura, usar óculos com lente cor-de-rosa para ter uma melhor visão dos escombros é pura ilusão de ótica.


Temer fala de futuro com gente de passado sujo
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Josias de Souza

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Ao escancarar a evidência de que a política tem código de barras e estava na prateleira para ser comprada por organizações como a Odebrecht, a Lava Jato aguçou o instinto de sobrevivência dos políticos brasileiros. Para entender os próximos lances da crise, você deve prestar atenção em dois movimentos. O governo Temer dirá aos parlamentares que o país não tem futuro se o Congresso não aprovar as reformas trabalhista e previdenciária. E os congressistas, fingindo que não têm passado, tentarão apressar uma pauta que lhes permita surfar no mar de lama: anistia do caixa dois, fundo público de financiamento eleitoral e voto com lista fechada, para esconder candidatos sujos do eleitorado.

Os dois lados têm pressa. Depois que as delações da Odebrecht ganharam o noticiário os relógios de Brasília já não têm ponteiros, mas espadas. Há mais mortos do que vivos no comando das articulações. E essa atmosfera fúnebre começa a produzir maquinações sombrias. Um grupo de deputados ameaça levar as reformas do Planalto em banho-maria se o governo não demonstrar empenho pela aprovação do kit de salvação dos mandatos ameaçados.

O governo fará na terça-feira um teste de prestígio. Temer convidou para um café da manhã no Palácio da Alvorada todos os deputados do condomínio governista. Na ponta do lápis, são 411 dos 513 deputados. Se comparecerem 300, o presidente soltará fogos. O número mínimo para aprovar uma emenda constitucional é de 308 votos. O governo talvez devesse evitar a divulgação de imagens do café da manhã. Haverá na mesa uma profusão de autoridades e parlamentares sob investigação. A exposição da cena pode passar a ideia de um abraço de afogados.


Gestão Temer virou uma contagem regressiva
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Josias de Souza

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Faltam 20 meses e meio para que Michel Temer volte em definitivo para São Paulo. Será um suplício acompanhar cada manhã de uma presidência-tampão comandada por um político que sonhava em passar à história como um novo Itamar Franco e fica cada dia mais parecido com José Sarney. As delações da Odebrecht, que invadem os lares dos brasileiros em jorros amazônicos desde o início da semana, empurraram a gestão Temer da enfermaria direto para a UTI. Os principais operadores da política trabalham com a perspectiva de que Temer concluirá o seu mandato. Não mais por méritos, mas por absoluta falta de alternativa.

Em meio a uma atmosfera de franca promiscuidade, as autoridades erguem as mãos para o céu em agradecimento ao feridado cristão. Atônito, o governo tenta se reposicionar em cena. Por ora, Temer acalenta a fantasia de que conseguirá manter as fornalhas do Congresso acesas, para aprovar todas as propostas necessárias à retomada do crescimento econômico. Nem a equipe econômica do governo acredita nesse milagre.

O drama de Temer mudou de patamar. Isso fica evidente no instante em que o presidente se vê obrigado a exibir na internet um vídeo para se contrapor a um delator que insinua sua concordância com uma propina de US$ 40 milhões, extraída pelo PMDB de um negócio na Petrobras. Para evitar que o governo entre em coma, Temer talvez tenha que reconsiderar a decisão de manter seus ministros suspeitos nos cargos até quando der. Já deu! De resto, Temer, mãos postas, reza para que o Supremo Tribunal Federal rejeite um recurso do PSOL pedindo que o presidente da República seja incluído no rol de investigados da Lava Jato. Se você acredita em Deus, reze. Se não acredita, reze também.


Hecatombe da Odebrecht intima o eleitor a agir
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Josias de Souza

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Imagine que você é um brasileiro atento ao cenário político e tem uma namorada chamada Janete com quem gosta de trocar ideias sobre a conjuntura. Imagine que você foi às ruas pedir a saída da Dilma e torce pelo Temer. Imagine que você já tem em quem votar na eleição de 2018 e conta com a recuperação da economia para pedir um aumento de salário ao chefe. Depois da hecatombe provocada pela colaboração da Odebrecht, recomenda-se que você telefone imediatamente para sua namorada Janete. Ela pode ser a única coisa que lhe restou.

Os plenários da Câmara e do Senado foram desligados da tomada já na tarde de terça-feira. O Planalto vive a neurose do que está por vir. Cercado de ministros e aliados suspeitos e temendo o pior, Temer levou os lábios ao trombone: “Não podemos paralisar o governo”, ele disse. Há cadáveres demais no noticiário. Mas o caráter pluripartidário da autópsia fez desaparecer do necrotério o contraditório. Ninguém se anima a jogar pedras no outro. Sujos e mal lavados estão todos sob o mesmo telhado de vidro.

Digam o que disserem da Odebrecht, não se pode deixar de admirar o seu caráter democrático. O departamento de propinas da empreiteira comprou políticos de todas as ideologias. À medida que forem avançando as investigações você vai conhecer a cotação de cada um. Um Renan vale quantos Padilhas? Os reis da política estão todos nus. A nudez é tão generalizada que corre-se o risco de eles tentarem te convencer de que foi inventado um novo tipo de tecido. Dirão que é belo e resistente, mas completamente invisível para os pessimistas. Não caia nessa. Se encontrar sua namorada Janete discuta com ela o que fazer. O futuro da democracia nunca esteve tão nas mãos do eleitor como agora.