Blog do Josias de Souza

Categoria : Vídeos

Pesquisas antecipam o fim da hegemonia de Lula
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Josias de Souza

Nas últimas quatro sucessões presidenciais, Lula mandou e, sobretudo, desmandou no poder federal. Elegeu-se duas vezes. E transformou Dilma Rousseff num conto do vigário no qual o eleitorado caiu um par de vezes. Esse poder hegemônico de Lula, informam todas as pesquisas, está com os dias contados. Acabará no próximo dia 28 de outubro.

Deve-se o infortúnio de Lula ao próprio Lula, que conseguiu converter Fernando Haddad, seu segundo poste, em candidato favorito a transformar Jair Bolsonaro no próximo presidente da República. Lula escolheu seu próprio caminho para o inferno ao imaginar que poderia prevalecer impondo uma nova solução doméstica petista.

Preso, Lula sabia que sua foto dificilmente estaria na urna de 2018. Poderia ter transferido eleitores para um candidato fora dos quadros do PT. Tinha em Ciro Gomes uma versão livre do contágio da Lava Jato. Mas preferiu a aposta mais arriscada. Ao lançar um poste do PT, descobriu que o antipetismo é, hoje, mais forte que o lulismo. Lula chega ao fim da sua era como cabo eleitoral da ultradireita.


Guerra suja nas redes sociais expõe o Fake TSE
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Josias de Souza

Antes do início da campanha de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral trombeteou a notícia de que não toleraria o uso das redes sociais para a difusão de notícias falsas. Presidente do tribunal na época, o ministro Luiz Fux chegou a dizer que seriam expurgados do processo eleitoral candidatos que jogassem sujo na internet. Hoje, verifica-se que a ameaça do ministro era, ela própria, uma notícia falsa.

A Justiça eleitoral não conseguiu coibir nem mesmo a difusão de falácias sobre supostas violações de urnas eletrônicas. O TSE e seus ministros limitaram-se a emitir declarações protocolares sobre a segurança do processo eletrônico de votação. Nem sinal de punições. O próprio Jair Bolsonaro chamou de fraude a votação que resultou no segundo turno. E ficou por isso mesmo.

Sem controle, a lama escorre livremente pelos visores dos celulares e tablets na forma de desinformação, mistificação e notícias falsas. O lodo vem da esquerda e da direita. Mas Jair Bolsonaro prevalece na quantidade. Notícia da Folha de S.Paulo ajuda a entender o fenômeno: Empresários compram ilegalmente pacotes de mensagens anti-PT difundidas via WhatsApp. Isso é crime. Deveria ser punido. Mas a guerra suja nas redes sociais e no WhatsApp revela a existência de um Fake TSE.


Bolsonaro põe ‘mão na faixa’ e calça salto agulha
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Josias de Souza

Jair Bolsonaro escalou um salto mais alto do que recomenda a prudência. Fez isso ao declarar o seguinte: “Nós estamos com uma mão na faixa. Ele (Fernando Haddad) não vai tirar 18 milhões de votos daqui a dois domingos.” Um presidenciável como Bolsonaro, com vantagem confortável nas pesquisas, não precisa calçar mocassim. Mas faria um bem a si mesmo se trocasse o modelo agulha em que subiu por um discreto salto anabela, mais compacto e seguro.

A história ensina que, em política, um pouco de humildade não faz mal a nenhum candidato. Nunca é demasiado recordar um episódio ocorrido em 1985. Mediam forças pela prefeitura de São Paulo Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros. Dado como franco favorito, FHC posou para fotos na poltrona de prefeito às vésperas da eleição. Contados os votos depositados nas urnas, Janio prevaleceu. Pesquisa não é urna. Erros acontecem.

Manuseando a faixa, Bolsonaro voltou a desdenhar dos debates: “Eu vou debater com um poste, um pau mandado do Lula? Tenha santa paciência!”, disse ele. Sabe-se pouquíssimo do que o capitão planeja fazer se for eleito. Ele estimula a crença de que haverá segurança, probidade e prosperidade a partir de 1º de janeiro de 2019. Foi assim, equilibrando-se num salto agulha, que Dilma Rousseff enganou a plateia em 2014. Depois, calçando havaianas, o brasileiro foi às ruas para exigir o impeachment. Deu em Bolsonaro.


Haddad virou figurante em enredo de Bolsonaro
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Josias de Souza

A vida cobra os pecados do PT em prestações: as prisões do mensalão, o impeachment de Dilma, a volta à cadeia no petrolão, a delação-companheira de Palocci, o encarceramento de Lula… Coube a um aliado, Cid Gomes, apresentar a fatura de 2018. Os petistas “vão perder feio” a disputa presidencial, disse o irmão de Ciro Gomes. Perderão “porque fizeram muita besteira” e se recusam a produzir um mea-culpa.

Fernando Haddad buscava alucinadamente um fato novo capaz de encurtar a distância de 18 pontos que Bolsonaro abriu sobre ele no Ibope. Mas a única novidade digna de nota no segundo turno é o desabafo de Cid Gomes. Virou atração instantânea da propaganda de Bolsonaro no horário eleitoral.

Depois das críticas de Cid Gomes, os petistas inocentes que cobram a adesão à “frente democrática” anti-Bolsonaro ganharam a aparência de virgens de Sodoma e Gomorra. Haddad luta pela Presidência ao mesmo tempo que tem que cuidar da unidade de aliados que fogem do contágio. Deve doer no candidato do PT a ideia de que faz o papel de figurante obscuro num enredo confuso, em que o protagonista é um presidiário e cujo epílogo pode ser Jair Bolsonaro.


Ruína ideológica torna 2018 parecido com 1989
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Josias de Souza

Recomeçou o horário eleitoral, agora em ritmo de mata-mata, com tempo de propaganda igual para os dois presidenciáveis. Num ponto, a disputa atual lembra a sucessão de 1989. A exemplo do que fizeram Collor e Lula na primeira eleição direta depois da ditadura militar, Bolsonaro e Haddad insultam-se em rede nacional, ocultando dos eleitores as fragilidades de suas propostas para um país em crise.

Há sobre a mesa do próximo presidente da República uma turbulência fiscal, uma crise moral e um Congresso fragmentado. O resultado das urnas não fará desaparecer os problemas. O que pode desaparecer é a legitimidade de um presidente eleito que tenha vendido na campanha soluções simplistas para encrencas complicadas.

Há 29 anos, Collor achincalhava Lula, acusando-o de planejar “luta armada”, inspirado em “Hitler e Khomeini”. Lula afrontava Collor, tachando-o de filho de uma família que “mata trabalhador rural”. Hoje, Bolsonaro trata Haddad como doutrinado do Foro de São Paulo, que fará do Brasil uma Cuba ou uma Venezuela. E Haddad insinua que Bolsonaro mergulhará o país na barbárie. O Brasil não será comunista. Também não há sinal de guerra civil. Mas as ruínas ideológicas de 2018 revelam que aquele horizonte bonito que viria junto com a democracia continua sendo uma utopia irrealizável.

– Assista abaixo aos programas de Bolsonaro e Haddad exibidos no horário eleitoral desta sexta-feira (12):


Brasil elegerá no 2º turno a melhor encenação
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Josias de Souza

O segundo turno da disputa presidencial tornou-se um triste espetáculo. Nele, Fernando Haddad executa um striptease. E Jair Bolsonaro brinca de esconde-esconde. Haddad se despe de tudo o que possa lembrar o PT. Já não usa a máscara de Lula. Livrou-se do vermelho nas peças de campanha. Não bate mais ponto na cadeia de Curitiba. Parou de dizer nas entrevistas “boa noite, presidente Lula”. Baniu Dilma da memória.

Bolsonaro sacode um atestado médico e foge dos debates. Já cancelou quatro. Com larga vantagem sobre o rival, o capitão se esconde na trincheira das redes sociais, oferecendo-se ao eleitor em fragmentos. Quem gosta de armas, encontrará um Bolsonaro de sua preferência numa frase do WhatsApp. Quem acha que bandido bom é bandido morto assistirá um Bolsonaro ao seu feitio num vídeo do YouTube. Quem não suporta corrupção, ouvirá um Bolsonaro do seu agrado num áudio do Twitter.

Às voltas com a necessidade de compor uma “frente democrática”, Haddad faz de tudo para convencer a pessoas de que é maior do que o PT. Mas tudo parece não querer nada com Haddad. Quanto a Bolsonaro, quando tudo o que você vê do personagem nas redes sociais é subtraído de tudo o que você ignora, o que sobra é nada. Mantido o ritmo, o eleitor brasileiro elegerá neste segundo turno não o melhor presidente, mas a melhor encenação.


Procuradoria visita o Posto Ipiranga do capitão
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Josias de Souza

Na política, as boas intenções costumam diminuir à medida que se aproxima o dia da posse. No caso de Jair Bolsonaro, a promessa de moralização do Estado subiu no telhado antes mesmo da conclusão do processo eleitoral. Descobriu-se que o Ministério Público Federal inaugurou em 2 de outubro uma investigação contra Paulo Guedes, o guru econômico.

Notícia da Folha informou que Paulo Guedes, nomeado antecipadamente para o cargo de ministro da Fazenda num hipotético governo Bolsonaro, é suspeito de envolvimento em fraudes com recursos dos fundos de pensão de estatais como Petrobras, Correios e Banco do Brasil. Negócios estimados em R$ 1 bilhão, fechados entre 2009 e 2013. O caso envolve também prepostos do PT e do MDB, que dirigiam os fundos de pensão.

Investigação não é condenação. Mas os efeitos políticos da notícia são óbvios. Especialistas ensinam que um investidor não deve depositar todos os seus ovos num único cesto. Os ativos de Bolsonaro estão acomodados em dois cestos. Na política, a retórica anticorrupção do candidato. Na economia, a suposta segurança técnica oferecida por Paulo Guedes. Ou seja: a apuração do Ministério Público atinge a alma do projeto de poder de Bolsonaro. Ou a campanha se explica ou o combustível do Posto Ipiranga do capitão pode acabar antes da inauguração.


Bolsonaro e Haddad redescobrem a Constituição
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Josias de Souza

Nas suas primeiras manifestações públicas como rivais no segundo turno da corrida presidencial, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad se esforçaram para retirar o que há de mais tóxico nas suas respectivas candidaturas. Ambos se comprometeram a respeitar a Constituição. Bolsonaro chegou mesmo a dizer que será “escravo” do texto constitucional.

A notícia é alvissareira por um lado e desalentadora por outro. Anima porque é sempre bom saber que o próximo presidente da República, seja quem for, não rasgará a Constituição. Desanima porque isso deveria ser uma obviedade. Deixou de ser porque o vice de Bolsonaro, general Mourão, defendeu o autogolpe e a feitura de uma nova Constituição por uma comissão de notáveis. E o programa do PT incluiu a convocação de uma nova Constituinte.

Bolsonaro desautorizou o vice, tachando sua manifestação de “canelada”. Disse que falta “tato e vivência política” ao general. Cabe perguntar: e quanto à falta de tato de alguém que escolhe um personagem tão precário para vice?

Haddad disse que reviu sua posição sobre a Constituinte. Ótimo. Mas o programa do PT foi feito agora, sob a coordenação do próprio Haddad. Mudou por convicção ou por conveniência?

Nesse mano a mano do segundo turno, o eleitor deve se ligar nos detalhes se não quiser confundir um certo candidato com o candidato certo.


Eleitor chutou o balde, falta a drenagem da lama
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Josias de Souza

Desde que os políticos brasileiros deflagraram um movimento suprapartidário de blindagem de corruptos e manutenção de privilégios, esperava-se pelo sinal de que o fim estava próximo. Aguardava-se pelo fato que levaria todos a exclamar: “Finalmente!” O dia chegou.

A data de 7 de outubro de 2018 será lembrada nos livros de história como o dia em que o eleitor brasileiro chutou o balde de lama. De olhos fechados para todos os recados emitidos pelas ruas nos últimos cinco anos, a política tradicional do Brasil teve a grandeza da vista curta, a beleza dos interesses mesquinhos, a sabedoria das toupeiras e o apetite dos roedores. Os políticos se apaixonaram incondicionalmente pelo caos. Foram 100% correspondidos pelas urnas desta histórica eleição de 2018.

Quando alguém chuta um balde de lama, o resultado é feio de se ver. Temos um país trincado, prestes a escolher um presidente pela rejeição, não pela preferência. Temos também um Congresso diferente que muitos duvidam que será melhor. Mas temos algo transcende a tudo: o eleitor brasileiro ressuscitou. E ao renascer se deu conta de que a indignação pode ser melhor do que a indiferença. Pode dar errado, como tudo na vida. Mas o voto será um extraordinário corretivo.


Apreço do eleitor à democracia é doce paradoxo
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Josias de Souza

A democracia, ensinou o velho Churchill, é o pior regime possível com exceção de todos os outros. Num instante em que o eleitor brasileiro parece empenhado em implementar as piores alternativas, o Datafolha trouxe à luz um dado alvissareiro:69% dos eleitores consideram o regime democrático a melhor forma de governo para o país. Não se via um índice assim tão alto desde 1989.

O resultado é paradoxal, pois o mesmo Datafolha informa que continua na liderança da corrida presidencial, com índices de preferência cada vez mais vistosos, a chapa verde-oliva —na cabeça, o capitão Bolsonaro; na vice, o general Mourão. Ambos idolatram um torturador. E já defenderam intervenções militares. A boa notícia é que, mesmo entre os eleitores da chapa militar, a maioria (64%) considera a democracia o melhor regime.

Entre os eleitores do vice-líder Haddad, preposto do presidiário Lula, a opção pela democracia é ainda maior (77%). Muitos poderão dizer que a confirmação do apreço pela democracia serve apenas para demonstrar que o eleitor subverteu o brocardo. Segue a máxima segundo a qual é errando que se aprende… a errar. Mas seja como for, um erro democrático será sempre melhor do que um suposto acerto autoritário.