Blog do Josias de Souza

Categoria : Vídeos

Haddad vai à vitrine antes do veto do TSE a Lula
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Josias de Souza

A estratégia eleitoral do PT entra nesta semana numa fase que poderia ser batizada de “me engana que eu gosto.” Enquanto sustenta no TSE o pedido de registro da candidatura-fantasma de Lula, o PT exibe Fernando Haddad em sua principal vitrine: a região Nordeste. Até o próximo sábado, Haddad desfilará sua desconhecida figura em pelo menos cinco Estados nordestinos: Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão.

Pesquisa do instituto MDA ajuda a entender por que o petismo adianta o relógio da campanha de Haddad, colocando o substituto na rua antes da impugnação do titular. Lula continua liderando a corrida presidencial, com 37,3% das intenções de voto. Mas esse eleitorado de Lula não cairá no colo de Haddad por gravidade.

Hoje, apenas 17,3% dos votos atribuídos a Lula seriam transferidos para Haddad. Marina herdaria 11,9%. Ciro levaria 9,6% desses votos. Para colocar Haddad no segundo turno, o PT precisa grudar no rosto dele uma máscara do Lula. Ou seja: para dar certo, Haddad precisa mostrar que não é um candidato, mas uma caricatura de Lula.

Os rivais do PT dirão que o país já conhece esse filme. Eles enfatizarão que o filme não tem final feliz.


Alô, ONU! Cunha deseja ser tratado como Lula
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Josias de Souza

Ao recomendar ao Brasil que assegure ao ficha-suja Lula todas as prerrogativas de um presidenciável limpinho, o Comitê de Direitos Humanos da ONU tratou esta terra de palmeiras e sabiás como uma República de Bananas. Assim eram chamadas as nações da América Central comandadas por oligarquias corruptas. Para a ONU, Lula é uma vítima em potencial e o Judiciário brasileiro é uma máquina a serviço da perseguição política de uma alma inocente.

Ironicamente, a decisão da ONU foi divulgada no mesmo dia em que Eduardo Cunha publicou na internet uma “carta à nação.” Nela, o gangster do MDB diz ser “vítima de perseguição”, queixa-se de ter sido “condenado sem provas” e lamenta não poder disputar as eleições de 2018. Por uma questão de isonomia, o comitê da ONU deveria considerar a hipótese de pedir respeito aos direitos políticos de Cunha.

A defesa de Lula sustenta que a decisão da ONU tem o peso de uma ordem. É lorota. Trata-se de uma recomendação. Que precisa ser respondida pelo TSE, impondo ao ex-presidente ficha-suja os rigores da Lei da Ficha Limpa. Qualquer providência diferente acomodaria sobre o mapa do Brasil a carapuça de República de Bananas. Com selo de qualidade da ONU.


Lula usa dinheiro público para enganar eleitorado
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Josias de Souza

Lula será proibido de disputar o Planalto. Isso acontecerá porque ele é ficha-suja e a Justiça Eleitoral decidiu fazer valer a Lei da Ficha Limpa. O PT sabe que registrou no TSE um candidato-fantasma. Tanto que já levou à vitrine um substituto: Fernando Haddad. A insistência de Lula em prolongar a polêmica sobre sua falsa candidatura tem dois propósitos: desmoralizar a Justiça e enganar o eleitor.

A defesa de Lula mobilizou advogados especializados em jurisprudência eleitoral para esticar um processo que todos sabem que não dará em nada. Um político que se imaginava invulnerável e está preso numa sala de 15 metros quadrados tem todo o direito de optar por viver no Mundo da Lua. O que não seria aceitável é que a Justiça fizesse o papel de boba.

Lula prepara o ambiente para transferir votos para Haddad. No limite, gostaria que o veto do TSE viesse depois de 17 de setembro, quanto não haveria mais tempo de retirar sua foto das urnas, facilitando o cambalacho. Como se fosse pouco, Lula usa o Tesouro Nacional para ludibriar o eleitorado, pois sua campanha fantasma é financiada com dinheiro público. Já não basta indeferir a candidatura de Lula. A Justiça terá de exigir ressarcimento dos gastos.


Lula monta no TSE um puxadinho do seu teatro
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Josias de Souza

O Brasil já conviveu com muitas anomalias políticas. Mas nunca um candidato cenográfico havia se apresentado formalmente como pretendente ao Planalto. Lula rompeu todos os paradigmas. Tornou-se um personagem curioso. Com o pedido de registro de sua candidatura no TSE ele dá sequência à representação da pior encenação de si mesmo.

Lula nunca prestou depoimentos, sempre deu espetáculos. Ele jamais se explicou, apenas desconversou. Ainda hoje, Lula não se defende, ataca. O personagem imaginava-se invulnerável. Achava que não seria denunciado. Foi. As denúncias não virariam ações penais. Viraram. Não seria condenado. Foi, em duas instância. Não teriam a coragem de prendê-lo. Está em cana.

O pedido de registro do candidato ficcional do PT monta no TSE um puxadinho do teatro. Ali, Lula joga um jogo que considera jogado. A encenação dentro do tribunal é apenas parte de um espetáculo maior. Indeferido o registro da candidatura, Lula vestirá o figurino de mártir e escreverá na cadeia uma carta de lançamento do seu novo poste: Fernando Haddad. Considerando-se o que aconteceu com o poste anterior, Dilma Rousseff, verifica-se que a cadeia inspirou em Lula apenas o ímpeto da reincidência.


Em vez de fazer a mala, Temer faz temeridades
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Josias de Souza

Autoconvertido numa espécie de ex-presidente no exercício da Presidência, Michel Temer tornou-se um administrador perigoso. Deveria estar fazendo as malas, mas prepara medidas arrojadas. Entre elas um decreto presidencial sobre a relicitação de concessões de rodovias federais à iniciativa privada. Desde que Temer assumiu o trono, em 2016, que seus auxiliares falam sobre a necessidade de repactuar os valores de contratos de concessões assinados na gestão de Dilma Rousseff. E resolveram agir agora, no ocaso do governo.

A pretexto de assegurar transparência à edição do novo decreto, Temer iniciou a semana com uma reunião-espetáculo, transmitida ao vivo pelos canais governamentais. Investigado sob a suspeita de ter trocado propinas pela edição de um outro decreto, de interesse de empresas portuárias, Temer disse ter promovido uma reunião aberta em nome da transparência, para evitar acusações de que o governo estaria favorecendo “esta ou aquela empresa.”

Em outubro, depois que forem abertas as urnas, Temer terá de cumprir o ritual transição de governo. O primeiro ato seria a nomeação de um ministro para comandar esse processo. Entretanto, considerando-se o fato de que o governo de Temer é, ele próprio, uma transição que saiu pelo ladrão, o presidente renderia homenagens ao bom senso se congelasse qualquer ato que envolva negócios na casa dos bilhões. Além de evitar surpresas para o sucessor, é mais civilizado.


Debate medíocre aumenta desafio do eleitorado
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Josias de Souza

Se o primeiro debate entre os presidenciáveis serviu para alguma coisa, foi para demonstrar que, se quiser transformar 2018 no ano da virada, o eleitor terá de tratar o voto com atenção redobrada. Os temas que interessam ao brasileiro estavam todos lá, no palco da TV Bandeirantes —da roubalheira ao desemprego. Faltaram as ideias. Ainda que elas existam, seria impossível esmiuçá-las no cercadinho de tempo de um programa com oito candidatos.

O problema vem de longe: os debates foram engessados pela lei eleitoral e pelo esforço das assessorias para proteger os candidatos. Misturando-se tudo o que foi dito, o resulado é uma espécie de elixir embromatório. O preparado contém 49% de autoelogios, 49% de enrolação e 2% de contraditório. É inofensivo para os candidatos. Mas ofende a paciência dos eleitores que se dispõem a adiar o encontro com os travesseiros para ouvir o lero-lero.

Haverá mais oito debates, na TV e na internet. As transmissões constituem uma prestação de serviço. Melhor ter algum debate do que não ter nenhum. Mas algo precisa ser feito para oxigenar esse tipo de atração em eleições futuras —‘Para honra e glória do Senhor Jesus’, diria o Cabo Daciolo, uma das evidências da falência do modelo. Num debate opaco, cada eleitor tende a achar que seu candidato saiu vitorioso. Mas fica sempre no ar uma pergunta: quem ganha um debate medíocre é melhor ou pior do que quem perde?


Num Legislativo enlameado, o pedido de aumento do Judiciário soa como ordem
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Josias de Souza

A Lava Jato modificou o padrão estético do Congresso. Uma paisagem que era apenas constrangedora tornou-se patética. Hoje, basta que um parlamentar permaneça de cócoras para ser considerado um homem público de enorme altivez. É esse Legislativo apinhado de pequenas criaturas que irá decidir sobre o pedido de reajuste salarial dos ministros do Supremo —de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil por mês.

O aumento dos contra-cheques do Supremo descerá pelo organograma como uma cascata, semeando reajustes no topo das folhas salariais da União e dos Estados. Numa conta otimista, o custo será de R$ 4 bilhões. Numa projeção pessimista, não sairá por menos de R$ 5 bilhões. Como verba pública não é dinheiro grátis, alguém pagará. O preço mais alto tende a recair sobre a clientela pobre do Estado, pois não haverá saída senão cortar despesas com a manutenção de serviços públicos.

Na Câmara, dois em cada 10 deputados estão pendurados em processos que aguardam julgamento no Supremo ou em instâncias inferiores do Judiciário. No Senado, 4 em cada 10 senadores estão na mesma situação. Num ambiente tão enlameado, o pedido de amento do Judiciário soa como ordem. Já passou na Câmara, em 2016. Falta o Senado. O presidente poderia vetar. Mas há no freezer do Supremo duas denúncias criminais contra Michel Temer, que também responde a mais dois inquéritos. Ou seja: o bolso do contribuinte nunca esteve tão indefeso.


Vice de Bolsonaro agride sua árvore genealógica
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Josias de Souza

Morrer é um exercício que, às vezes, exige vocação. A candidatura de Jair Bolsonaro, por exemplo, revela-se vocacionada para o suicídio. A cada novo gesto, o candidato parece enviar uma coroa de flores para si mesmo. Ao escolher o general Mourão como vice de sua chapa, Bolsonaro jogou sobre o seu projeto político algo muito parecido com uma pá de cal.

No poder, o melhor vice presidente é a ociosidade. Na campanha, o candidato a vice  mais conveniente é aquele que agrega valor à chapa. Há uma célebre canção cuja letra ensina que “a vida é arte, errar faz parte”. Mas Bolsonaro cultiva uma arrogância destruidora. Quanto mais erra, mais o candidato persiste no erro.

Bolsonaro escalou as pesquisas trombeteando uma agenda em que homossexuais índios e quilombolas são equiparados a marginais e vagabundos. Parou de subir. Mourão, seu vice, atribuiu os males do Brasil à herança ibérica, à “indolência” dos índios e à “malandragem” dos africanos. Num país 100% feito de miscigenação, o general conseguiu ofender todo mundo. Tomado pela aparência, o vice de Bolsonaro é um racista sui generis, do tipo que não mandou examinar sua árvore genealógica.


Lula e Alckmin tentam reviver velha polarização
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Josias de Souza

O resultado da sucessão de 2018 está nas mãos do eleitor sem candidato. Diferentes pesquisas indicam que mais de um terço do eleitorado cogita desperdiçar o voto por não ter em quem votar. Estamos falando de um contingente na casa dos 50 milhões de eleitores. Dependendo da decisão que essa gente tomar, a disputa pelo Planalto pode sofrer uma reviravolta.

O ambiente gelatinoso não é bom para Bolsonaro. Ele lidera as pesquisas no cenário sem Lula, mas está estacionado. E o capitão acaba de escolher um general para vice. Com isso, Bolsonaro prega para os já convertidos. A atmosfera também não é boa para Marina e Ciro, que dispõem de pouco tempo na propaganda eleitoral para seduzir o eleitor desalentado.

Lula, forçado a colocar o poste na rua, terá de provar que ainda sabe fazer transfusão de votos. Precisa alçar Haddad, seu vice provisório, da insignificância para algum lugar à frente de Ciro e Marina. A outra dúvida é se Alckmin conseguirá extrair do seu latifúndio no horário eleitoral votos suficientes para roubar a vaga no segundo turno que Bolsonaro dá como fava contada. Lula e Alckmin, suprema ironia, trabalham juntinhos para reeditar a velha polarização PT versus PSDB. Falta combinar com os eleitores sem candidato.


Campanha eleitoral leva a Lava Jato para o forno
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Josias de Souza

Ficha-suja, Lula desafia a lei com uma candidatura fictícia. Reformador, Ciro acena com a devolução de procuradores e juízes para suas “caixinhas”. Abraçado ao centrão, Alckmin adere à pregação segundo a qual a “criminalização da política” afasta da vida pública muita gente boa. Ministro de Temer, Marun sugere que o programa de Meirelles inclua uma “anistia” para a delinquência do caixa dois. A campanha de 2018 exala um cheiro de orégano.

Desmoralizados, os grandes partidos apostam na confusão. Impossível distinguir a olho nu direitistas de esquerdistas. Jogados num tanque de lama, personagens como Aécio, agora candidato à Câmara, e Lula, autoconvertido em plataforma de lançamento de postes, deslocam suas massas na mistura viscosa entoando o mesmo lero-lero da “perseguição”. Esperneiam de maneira idêntica.

Beneficiados por regras viciadas que eles mesmos aprovaram, sujos e mal lavados se equipam para transformar a próxima legislatura num espetáculo de mais do mesmo, seja quem for o presidente da República. Políticos de todos os grandes partidos ensaiam um coro contra a prisão de larápios condenados em segunda instância. Ninguém disse ainda, talvez por medo, mas há uma pizza no forno. Está cada vez mais difícil evitar que assem a Lava Jato.