Blog do Josias de Souza

Categoria : Vídeos

Relator acelera julgamento que Temer quer adiar
Comentários 12

Josias de Souza

.

A movimentação do ministro Herman Benjamin, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, vai na contramão dos desejos de Michel Temer. Benjamin é relator do processo sobre a cassação da chapa Dilma-Temer. O governo opera para empurrar esse julgamento com a barriga. E o ministro do TSE pisa no acelerador. Marcou para a Quarta-Feira de Cinzas, dia 1º de março, os depoimentos de três delatores da Odebrecht —entre eles o próprio Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba.

Os delatores que o ministro interrogará já prestaram longos depoimentos à força-tarefa da Lava Jato. O que interessa a Herman Benjamin são os trechos que trazem informações sobre a forma como o Grupo Odebrecht financiou o comitê eleitoral de Dilma e Temer. O processo do TSE já está abarrotado de evidências de que a chapa vitoriosa em 2014 teve dinheiro sujo em suas arcas. A Odebrecht entra como cereja desse bololô.

Herman Benjamin poderia requisitar ao Supremo Tribunal Federal o compartilhamento dos depoimentos dos delatores da Odebrecht. Porém, se fizesse isso amarraria o processo da Justiça Eleitoral ao calendário da Lava Jato. E o relator do TSE tem pressa. Já declarou que a ação que pode resultar na cassação de Temer “não pode ser infinita”.

Num instante em que celebra os primeiros sinais de recuperação da economia, o Planalto faz tudo para retardar esse julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Mas tudo parece não querer nada com o Planalto. Nas próximas semanais, o governo vai abrir sua caixa de ferramentas.


Reformismo da gestão Temer não chega à ética
Comentários 7

Josias de Souza

.

Engolfado por uma onda de impopularidade, Michel Temer tornou-se um presidente à procura de uma marca. Desde que assumiu a Presidência no lugar de Dilma Rousseff, Temer afirma que não está preocupado com a popularidade. Mas os apologistas e conselheiros do presidente o convenceram de que o seu governo precisa de um símbolo. E decidiram grudar em Temer a marca do presidente “reformista”, o gestor capaz de aprovar as reformas que ajudarão a tirar a economia do buraco. Temer comprou a ideia. E começou a se vender em público como presidente das reformas. Foi o que ele fez hoje, em discurso para representantes do agronegócio, em São Paulo.

O movimento é parte de uma estratégia que será aprofundada nas próximas semanas. Em março, o PMDB martelará a imagem desse Michel Temer reformista na propaganda partidária que levará ao ar em rede nacional de rádio e televisão. O partido venderá a tese segundo a qual as reformas de Temer —as já aprovadas e as que estão por vir— melhoram o ambiente de negócios e começam a surtir efeitos.

O diabo é que o reformismo de Michel Temer está escorado numa fórmula vencida. Para aprovar suas reformas no Congresso, Temer compôs um governo loteado e convencional. Toda a podridão que consumiu o governo Dilma, incluindo o PMDB de Temer, deslizou suavemente para dentro do novo governo velho. Temer mantém a cabeça nas reformas e os pés na lama. Falta ao reformismo do presidente uma noção qualquer de ética. Se a Lava Jato serviu para mostrar alguma coisa foi que até o pragmatismo político precisa ter limites.


Blindar cúpula do Congresso é ato de despudor
Comentários 21

Josias de Souza

.

O senador Romero Jucá é persistente. Não abandona o seu propósito de estancar a sangria da Lava Jato, que já atingiu um estágio hemorrágico. A penúltima iniciativa do senador espanta pelo grau de despudor. Ele sugere que o Congresso inclua na Constituição uma regra proibindo a abertua de processos contra os presidentes da Câmara do Senado por crimes cometidos antes do início dos seus mandatos. Essa regra já existe para o presidente da República. Mas Jucá quer oferecer o escudo também para os mandachuvas do Congresso.

É preciso lembrar que Romero Jucá não é um personagem qualquer. Ele preside o PMDB, partido de Michel Temer. Caiu do Ministério do Planejamento, mas foi abrigado por Temer na liderança do governo no Congresso. É de longe o mais eficiente articulador do Planalto no Legislativo. É esse personagem que deseja impedir que a Justi’ca alcance malfeitores alojados nas presidências do Senado e da Câmara.

A proposta de Jucá já seria despudorada em condições normais. Num cenário de anormalidade, em que as duas Casas do Legislativo são comandandas por parlamentares delatados na Lava Jato —Eunício Oliveira, o “Índio” da Odebrecht, e Rodrigo Maia, o “Botafogo”—, aí mesmo é que a falta de pudor transborda qualquer noção de limite. Muita gente imaginava que a política era a segunda profissão mais antiga do mundo. Mas certas iniciativas a tornam muito parecida com a primeira.


Nome do PMDB para a Justiça subiu no telhado
Comentários 1

Josias de Souza

O nome do deputado Rodrigo Pacheco, indicado pela bancada do PMDB na Câmara para ser ministro da Justiça, subiu no telhado. Acossado por uma crise no setor de segurança, às voltas com sinais de descontentamento na Polícia Federal e crivado de críticas por passar a impressão de que gostaria de embaraçar a Lava Jato, Michel Temer passou a considerar a hipótese de acomodar na pasta da Justiça uma pessoa capaz de inspirar mais credibilidade do que desconfiança. Se prevalecer o bom-senso, Temer fará por pressão o que deveria fazer por opção.

Não bastasse o inconveniente de ter na Justiça o representante de um partido que está todo enlameado no maior escândalo de corrupção já desvendado no país, o escolhido do PMDB da Câmara reúne credenciais que o descredenciam. Descobriu-se, por exemplo, que Rodrigo Pacheco já foi advogado de mensaleiros e é um crítico dos poderes de investigação concedidos ao Ministério Público.

O debate sobre a escolha do novo ministro da Justiça ocorre contra um pano de fundo conturbado, marcado pela movimentação do PMDB para ‘entancar a sangria’ da Lava Jato. Os pajés do PMDB gastam muita saliva para assegurar que não têm motivos para conspirar porque estão limpinhos. Não têm nada a ver com os arrombamentos na Petrobras. Não se apropriaram de verbas alheias. Não praticaram corrupção. Quem somos nós para discutir com especialistas? Mas convém a Temer acomodar na Justiça um nome técnico.

– Atualização feita às 20h51 desta terça-feira (14): Temer recebeu em audiência o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso. Por ora, é o nome mais cotado para a poltrona de ministro da Justiça. Foi ao Planalto com o investigado Aécio Neves (PSDB-MG) a tiracolo.


Temer inventa demissão em suaves prestações
Comentários 45

Josias de Souza

.

Incomodado com o noticiário sobre o complô anti-Lava Jato que se move no eixo Planalto-Congresso, Michel Temer veio à boca do palco para dizer meio dúzia de palavras. Rodeado de auxiliares tóxicos, Temer esclareceu: se algum ministro for denunciado pela Procuradoria, será afastado temporariamente do governo (pode me chamar de licença com vencimentos e foro privilegiado). O denunciado só será demitido se for transformado em réu pelo Supremo Tribunal Federal. Espremendo-se as palavras do presidente, ficou entendido o seguinte: não adianta empurrar, porque Temer não se afastará dos amigos facilmente. Enquanto for possível, permanecerá abraçado a delatados como Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Quem ouve de relance, imagina que Temer está sendo rígido. Denunciados subirão no telhado. Réus irão para o olho da rua. Mas, na verdade, o que há é um rebaixamento dos padrões éticos do governo. Romero Jucá, você se lembra, foi afastado do Ministério do Planejamento 13 dias depois de assumir porque sua voz soou num grampo dizendo que era preciso “estancar a sangria” da Lava Jato. Jucá é investigado. Não foi denunciado. Tampouco virou réu. Pelo novo padrão de Temer, Jucá ainda seria ministro.

Há uma esperteza primária no modelo criado por Temer para lidar com auxiliares suspeitos. Em Brasília, a Lava Jato caminha num ritmo de lesma. Na Capital, a Procuradoria é mais lenta do que em Curitiba. A lentidão também é uma das marcas do Supremo. Não é incomum que uma denúncia demore mais de dois anos para ser apreciada na Suprema Corte. Ou seja: o governo Temer vai avabar e ele ta;lvez nao precise demitir os amigos.

Foi por isso que Temer inventou a demissão em suaves prestações. Passa a delação. Vem a denúncia. E o sujeito só começa a pagar se virar réu. Temer subestima a inteligência da plateia. O brasileiro não é precisamente contra a embromação. Só não gosta de ser embromado.


Brasil só tem segurança no nome do ministério
Comentários 53

Josias de Souza

.

Você já ouviu falar em José Levi Mello? Provavelmente, não. Trata-se da pessoa que responde interinamente pelo Ministério da Justiça. Tenta tapar o buraco aberto com a indicação do ministro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Moraes bateu em retirada num instante em que a bela intenção do governo de tranquilizar a nação com um plano nacional de segurança não resistiu às sucessivas desmoralizações dos surtos de violência que pipocam em diferentes pedaços do mapa brasileiro, dentro e fora dos presídios.

Até bem pouco, quando o assanhamento das fações criminosas nos presídios desafiava a autoridade do Estado, o Ministério da Justiça era apenas irrelevante numa crise capitaneada pelos governos estaduais. Hoje, quando as Políciais Militares acham que podem fazer greve com o revolver no coldre, o governo pode começar a poensar seriamente em arrendar o belo prédio da pasta da Justiça para uma rede hoteleira.

A ousadia da Polícia Militar do Espírito Santo, paralisada há uma semana, transborda para o Rio de Janeiro. E não há ministro da Justiça em Brasília. Para não ser chamado de omisso, Michel Temer solta nota oficial conclamando os PMs a respeitarem a lei. Simultaneamente, Temer negocia a escolha do futuro minstro da Justiça com a barriga encostada no balcão.

Hoje, o mais cotado para o posto é um deputado: Rodrigo Pacheco. Pertence ao PMDB, um partido que está mais preocupado em controlar os ímpetos da Polícia Federal na Lava Jato. No momento, o único lugar onde existe segurança no Brasil é no nome do ministério, que foi rebatizado na semana passada por Temer. Chama-se agora Ministério da Justiça e Segurança Pública. Não caia na gargalhada. O caso é sério!